Desescolarizando a vida

Desescolarização

O título do vídeo faz referência a tal de “desescolarização”, mas cá entre nós não é esse o principal assunto. A Ana Thomaz, quem fala com a gente nessa uma hora e cinco minutos, desperta um papo muito legal sobre quais são as formas possíveis de se aproveitar melhor a educação dos filhos para ter também um autodesenvolvimento e, quem sabe, criar uma nova cultura em si.

Você é ou quer ser pai ou mãe um dia? Assista! Se não pretende, a recomendação é que assista também, afinal, isso tudo se trata de um papo plural, já que somos filhos também.

A fala é sem cortes e rica. Aborda a história de vida dela, filósofos, arte e uma conversa leve e profunda.

Se ainda não está certo(a) de dar o play no vídeo e se deixar levar pela conversa da Ana Thomaz, aqui estão algumas frases citadas no filme.

“E então eu fui fazendo essa prática: de parar de me atrapalhar.”

“Depois da experiência de um parto nas minhas mãos, eu já não queria ter mais nenhum tipo de necessidade de me apoiar em coisas que me garantissem alguma coisa. Até então eu estava muito na garantia: eu estava olhando se eu podia garantir que o meu filho estava num bom caminho. Ali eu rompi com a garantia. Não se tem garantia na vida.”

Os pais se sentem ameaçados pelos seus pequenos filhos. Esse excesso de mimo que a gente vê nada mais é do que uma resposta a uma ameaça. [...] Ameaça do dia: por meu filho para tomar banho. Ameaça do dia: fazer meu filho almoçar. Ameaça do dia: por uma roupa pra gente sair. Nessa resposta a essas ameaças vem todo esse falso respeito achando que está dando liberdade: “O que você quer comer hoje?”.”

“Cada vez mais eu me incomodo menos — cada vez mais estou criando uma outra cultura dentro de mim, um outro modo de agir e me relacionar — e cada vez menos eu incomodo. [...] Então eu aceito todo o antagonismo, me alimento dele, transmuto para que ele seja fonte de crescimento, e não antagonizo de volta. Quem não ataca para de ser atacado.”

Vai, agora dá play :) E depois entra no site “O Lugar” para conhecer melhor o trabalho.

 

E aí? O que você acha dessa teoria? Você concorda com a não-escola?

Fonte da foto:Flickr – jblndl

O que você pode saber sobre o mercado de jornalismo através de dados abertos

Como já falei no blog, trabalho no Escritório de Prioridades Estratégicas do Governo de Minas. Por aqui, são desenvolvidos vários projetos interessantes, mas dentre a lista de trabalhos eu gostaria de falar hoje especificamente sobre o DataViva.

Trata-se de uma plataforma recheada com dados dos últimos 10 anos, relativos à exportações da Secretaria de Comércio Exterior – SECEX/MDIC e a ocupações da Relação Anual de Informações SociaisRAIS/MTE.

Dá para fazer cruzamentos de informações muito interessantes por lá, tirar muitas conclusões e construir informações relevantes!

A ferramenta foi desenvolvido em 2013 pelo órgão onde trabalho em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT). A flexibilidade da plataforma possibilita mais de 100 milhões de visualizações para que cada indivíduo a utilize para responder àquelas perguntas que mais lhe interessam, tornando-a um instrumento de análise democrática e plural. O negócio é fino ;)

E pra ficar mais lindo ainda, o DataViva é desenvolvido 100% em software livre, todos os dados são abertos ao acesso público. <3

Pra você entender direitinho o que dá para fazer com o site, fica aqui a dica de uma pesquisa feita com os dados só com foco na carreira dos meus amigos de profissão, os jornalistas. Fica aí a dica para fonte de pautas, de informações, e tudo mais que couber!

O quê o DataViva pode mostrar sobre o mercado de jornalismo

Em dez anos (2002 – 2012), o número de jornalistas empregados no Brasil aumentou quatro vezes. 30% estão no estado de São Paulo e os maiores salários no Distrito Federal.  

 O número de jornalistas no Brasil cresceu entre os anos de 2002 e 2012. Em 2002, o Brasil tinha cerca de doze mil profissionais empregados e, aumentou cerca de quatro vezes em 2012, atingindo 45 mil jornalistas ocupados. São Paulo é o estado brasileiro que concentrou o maior número de profissionais com 30% de participação no mercado, número que se manteve estável durante os dez anos. O segundo estado que mais empregou é o Rio de Janeiro, com uma baixa variação no período (0,54%), seguido de Minas Gerais, que teve uma redução de 0,84%.

Gráfico 1: Distribuição do número de jornalistas no Brasil por Unidades da Federação, 2002

 

Gráfico 2: Distribuição do número de Jornalistas no Brasil por Unidades da Federação, 2012

Gráfico 3: Evolução do número de Jornalistas no Brasil por Unidades da Federação, 2002-2012

Além de ter o maior número de jornalistas, o estado de São Paulo também tem o maior número de estabelecimentos que empregam jornalistas (3.739 ou 28%). Nessa análise, Minas Gerais ocupa a segunda posição, com 9% de participação no mercado.

 

Gráfico 4: Distribuição do número de estabelecimentos que empregam jornalistas no Brasil por Unidades da Federação – 2012

Setores em que os jornalistas estão empregados

Ao analisar os grupos de atividades econômicas que empregam jornalistas no Brasil, o de Informações e Comunicações se destaca. A área emprega um total de 21 mil jornalistas do país (47% do total). A Indústria e a Administração Pública também possuem uma participação significativa, com 11% e 10% respectivamente.

Quer saber mais? Visite o site do Escritório de Prioridades Estratégicas e veja a pesquisa completa

Sobre a falta de tempo e rotinas criativas

Você está sem tempo para nada, eu sei. Você queria estudar novos idiomas, queria não ter peso na consciência por não estar fazendo atividades físicas periodicamente e queria muito aproveitar mais a companhia dos seus amigos e da sua família, mas eu entendo perfeitamente que você não tenha tempo para isso.

Quem nunca se sentiu assim?

O fato é que todos nós temos o mesmo tempo para viver e fazer tudo. O Chimbinha, a Shakira e até mesmo o Al Gore têm as mesmas 24 horas que eu e você para fazer tudo. Mas parece ser tudo aquilo que você quer ser com esse tempinho que voa. Como faz?

Como é que tem gente que consegue produzir tanto com esse mesmo tempo que você mal vê passando?

Eis que um cara com tempo organizado conseguiu estudar os rituais diários dos grandes caras criativos da nossa história com objetivo de dar uma receita do “tempo” e publicou no Infowetrust.
Tem cara aí nessa lista que viveu sob um regime disciplinadíssimo por décadas, um esquema pesado. Padrões, rotinas, enfim, sistematismos a cada pular do ponteiro!

Para conhecer direitinho como era a rotina criativa de cadas como Charles Darwin, Tchaikovsky, Benjamin Franklin, Freud e outros, basta tirar um tempo para ver esse infográfico. (Você pode clicar aqui para abrir em outra aba e visualizar o texto da imagem)

Tudo na imagem é representado através de um ciclo de  24 horas. As cores dividem as atividades que ocupavam esse tempo.

Como pode ser fascinante tudo isso! Tem caras do documento que não conseguiam exercer certas tarefas de manhã ou sem antes saborear um copo de bebida alcoólica e usar um tabaco. Caminhadas também eram atividades frequentes nesse big-data de tarefas cotidianas!

Como está a sua divisão de tempo? Vou tirar um tempinho para fazer meu infográfico pessoal :)

“Marco civil? E eu com isso?”

Eu gostaria de chamar novas pessoas para a discussão do marco civil. Há anos falo disso aqui, acompanho listas de email sobre o tema, mas sinto que o debate fica sempre no mesmo grupo, e que todos aqueles que farão parte do grupo de prejudicados pelas decisões que podem ser tomadas indevidamente sequer sabem o que acontece.

O jeito que você usa a internet hoje, está ameaçado! Tudo aquilo que está na mão dos deputados vai te afetar diretamente. Qual seu posicionamento sobre isso? Para onde vai a neutralidade da rede?

Você acessa internet facilmente hoje, seu provedor não faz nenhum bloqueio e todos os sites e redes sociais são “iguais”, nenhuma recebe uma classificação oficial de melhor ou pior. As coisas, hoje, são NEUTRAS.

Hoje, você pode escolher pagar mais caro ou mais barato para ter uma internet de velocidade igualmente diferenciada. As coisas são NEUTRAS.

E se acabar essa neutralidade? O que vai acontecer? Muita coisa paia.

Whatsapp, Skype, NetFlix… Tudo isso pode não ser mais do mesmo jeito.

Com a neutralidade da rede indo pelo ralo, você pode até pagar por uma internet de 10Mb, mas não poderá usar o plano contratado para usar o skype, por exemplo.

Sugestão de capa para o Facebook :)

Sugestão de capa para o Facebook :)

Com a neutralidade fora, você poderá ser obrigado a pagar mais caro só para ter acesso ao Youtube.

Com a neutralidade ausente, você talvez não possa mais usar o NetFlix sem contratar um plano especial de internet.

A nossa forma de receber e produzir informações está em jogo. Seus hábitos correm risco. O artigo mais polêmico é o 16, recomendo fortemente a leitura desse post para entender melhor.

Neutralidade, liberdade de expressão, privacidade, criptografia de dados, inimputabilidade e várias outras questões que afetam seu dia a dia estão em jogo.

Está na mão de cada deputado definir o que será da nossa forma de continuar o nosso acesso à internet.

Em quem você votou? Como cada deputado está tratando o assunto, você sabe? Quais são os nomes dos parlamentares que não querem a neutralidade da rede?

Veja na planilha abaixo um apanhado coletivo sobre o posicionamento de cada político sobre o tema.

Descubra quem está jogando contra ou a favor (além das empresas como Claro, Embratel, OI, Tim, Vivo, Telefônica, claro!). Essa planilha é colaborativa e você pode ajudar a descobrir mais sobre e atualizar o documento.

Quer formar sua opinião? Use e abuse da neutralidade que temos hoje. A minha sugestão é esse blog escrito por várias pessoas http://marcocivil.org.br/

Razões para Acreditar na Internet

Baseado em “um estudo sobre o mundo atual”, como diz o início do vídeo, uma inspiradora mensagem é compartilhada através do vídeo que apresenta razões para acreditar na Internet.

“Para cada clipe removido do YouTube
100 artistas aderem ao creative commons.
Para cada biblioteca fechada
150 mil crianças descobrem o Google.
Enquanto um ativista é preso
Centenas de marchas nascem no Facebook.
Para cada verdade fabricada no mundo
240 sites inspirados no Wikileaks.
Na internet, LIBERDADE tem mais resultados que CENSURA.
Enquanto alguns tentam controlar a internet
Muitos compartilham esta mensagem.
Os bons são a maioria.
Revolução 2.0″

Quando a internet fomenta o desapego

O desapego dá leveza para a vida! Que tal doar aquilo que não tem mais função na sua casa?

Muitas vezes não nos desfazemos de certas coisas, por não sabermos quem poderia precisar daquilo. Ou então, pela praticidade, acabamos descartando esses itens ainda em ótimas condições.

Sim, isso existe, e é um projeto desenvolvido por uma brasileira. Hoje já é possível conectar pessoas que precisam/querem doações com doadores. :) A plataforma foi lançada no final de janeiro durante a presença da equipe na Campus Party em São Paulo.

O Doatorium é uma plataforma online de compartilhamento de doações que surgiu a partir de uma observação simples: nós acumulamos muitas coisas dentro de casa!

O objetivo é estabelecer uma cultura de compartilhamento aqui no Brasil e evitar com que as pessoas descartem itens que ainda estão em boas condições e que talvez possam ser úteis a outra pessoa do mesmo bairro ou da mesma cidade.

Cada usuário poderá cadastrar o seu perfil e, na plataforma, poderá tanto pedir como realizar doações.  Cada usuário terá também o seu histórico: de pedidos de doações que estão sendo solicitadas a ele, doações já realizadas e doações que o usuário requisitou.   Esse histórico poderá ser checado por cada doador antes que suas doações sejam feitas. O doador poderá também optar por doar ao primeiro que pedir ou, ainda, exigir uma justificativa.

Pare e reflita: Será que você não tem alguma coisa em casa nesse exato momento, que está em boas condições e que poderia ser doado?

Desapega :)

FabLab: a fantástica fábrica de qualquer coisa

Fazer ou comprar pronto? A ideia de comprar pronto parece ser mais prática, mas agora concorre diretamente com o prazer de se produzir algo.

Colocar a mão na massa, gastar neurônio pensando na melhor forma de tira uma ideia da cabeça e transformá-la em algo concreto… Fazer isso agora é possível com tanta tecnologia ao nosso alcance. Impressoras 3D, arduinos, robótica, cortadoras a laser e alguns outros aparelhos são a receita ideal para inovar em projetos profissionais, pessoais e acadêmicos.

Um assunto que está circulando em vários sites e blogs de inovação do mundo que vale ser trazido para cá é o FabLAb. Isso tudo tem a ver com o Movimento Maker, falado no final do ano passado nessa entrevista. Um FabLab é, basicamente, um laboratório de fabricação.

A ideia do Fab Lab  começou com o MIT, especificamente do professor Neil Gershenfeld com uma disciplina chamada “How To Make (almost) Anything”. De fato, “como fazer quase qualquer coisa” é o impulso da existência de um laboratório desse tipo.

No planeta já existem mais de 150 espaços assim. No Brasil já é possível encontrarmos alguns FabLAbs, como um que funciona dentro da USP e o Garagem FabLab (em São Paulo). Como Eduardo Lopes, um dos criadores do Garagem, explica, esses espaços servem para “transformar ideias em realidade com meios de produção digitais”. Governos, empresas e iniciativas particulares fazem essa ideia circular criando novos laboratórios.

A Heloísa Neves nos contou que, lá no Garagem, até mesmo crianças passam. Houve uma oficina há algumas semanas que ensinou os pequenos a modelarem via software formas de biscoito e a fazer a transformação das ideias em realidade usando uma impressora 3D. Olha só que legal!

Além da prática disso ser muito interessante, é legal perceber que isso é uma prova de uma nova era de produção que estamos vivendo.

Essa é uma tendência que evidencia uma nova revolução industrial, onde cada individual pode se empoderar do trabalho de criação, desenvolvendo produtos personalizados sendo protagonista do processo de fabricação da coisas.

O que você faria em um laboratório desses?

Se quer saber mais sobre essa ideia, conheça detalhes pelo livro da Heloísa :)

trilha inca

Relato de viagem: Trilha Inca, indo a pé para Machu Picchu

Esse é o primeiro relato do mochilão que durou 34 dias (eram 32, mas a TAM cancelou meu voô de volta e aí dois dias “presa no hotel” eu ganhei).

A experiência toda foi linda, me fez ficar ogra fisicamente, porém mais leve espiritualmente. Tentei tirar uma foto por dia pra ver o que ia acontecer com essa face aqui, esqueci alguns dias, mas aqui está o resultado. Pode rir da minha cara, eu deixo :)

Então, vamos ao que interessa. O rolê da tradicional trilha inca!

Aí um dia a sedentária blogueira que vos fala decidiu fazer a tal da trilha inca. “Ah, vai ser desafiador, lindo e tralala, vamo lá uhul”.

Dias depois de decidir, fazer uma pesquisa de preços e depositar o valor de entrada da agência, eu já estava desesperada, com medo de morrer na praia trilha e tal, e logo arranjei jeito de fazer academia. Na avaliação já abri o jogo dizendo que precisava ganhar condicionamento físico em 45 dias, que era o tempo que me restava antes de partir pro mochilão.

Além do clássico desespero de uma gordinha, bateu também aquele leve cagaço quando pensei no período. Janeiro é o pior mës para dar rolezinho nos Andes. É chuva, pedra rolando, alagamento, gente presa no meio de tudo por causa dos dilúvios, já teve desmoronamento. Pans! Resolvi ignorar e confirmar a minha reserva para o dia 21 de janeiro.

Se você está afim de fazer esse rolê (eu recomendo muito!), é fundamental pensar a data certa. Será legal para o seu organismo se você tiver uns dias em Cusco para se aclimatar, afinal, mais de 3 mil metros de altura assim de cara pode causar algum mal estar.

Chega de lero-lero, aqui vão as informações mais práticas e tal.

- Quem pode fazer a Trilha Inca?

Qualquer um. é sério. Eu (mocinha, gordinha, criada no apartamento pela avó) fiz e fui muito feliz! Tudo é questão de você saber os seus limites. Não é maratona lá, você não está apostando corrida com ninguém. Durante toda a trilha você faz a caminhada no seu ritmo. Não há motivos para se desesperar.

Eu fui com um grupo de mais ou menos 15 pessoas. Tinha vez que eu super ficava pra trás, tinha pedaço que eu ia mais na frente… É legal ir no ritmo que te permita apreciar a paisagem, respirar bem e sentir segurança.

- Quanto custa a Trilha Inca?

Comecei a fazer as pesquisas com várias agencias (dica dos Mochileiros, de conhecidos e tal) e acabei fechando com a Inti Tours, que na verdade fica em Lima e é representada em Cusco pela Cusco Explorer.

A brincadeira não fica barata, cá entre nós. Fiz tudo por 380 dólares. Você precisa fazer a reserva com bastante antecedência, uns 3 meses em média! a concorrência é alta!). Na véspera da trilha, dia em que você vai bater um papo com o guia e tirar dúvidas, se paga o resto. Nesse valor está TUDO, alimentação (várias – cafe da manhã, almoço, lanchinho de quando chega no acampamento e janta, tudo uma delícia), acampamentos, entrada para Machu Picchu e trem de volta para Cusco.

Se você colocar na ponta da caneta vai sentir o peso. Se for para Machu Picchu sem ser pela trilha, não vai ficar tão caro quanto a trilha, obviamente, mas os 4 dias que você não vai pagar hospedagem, alimentação e tal quase alcança um preço justo, proporcional ao valor da aventura! Vale cada centavo.

Eu curti essa agência. A alimentação era ótima, se preocuparam comigo (que não posso com lactose) fazendo pratos específicos e com uma argentina vegetariana. Os guias eram muito pacientes, amigos e explicavam tudo. Os porters (que são os grandes heróis da trilha – são homens que moram nas montanhas e trabalham levando 30 kgs nas costas cada um. Eles saem depois da gente e chegam nos acampamentos bem antes e montam as barracas, fazem comida, etc!) são uns fofos e muito profissionais. A experiência foi positiva.

Depois que eu fiz o pagamento do depósito da agência comecei a receber um tanto de recomendação terrorista por email deles. Faça um seguro de vida, se não tiver fôlego não vai dar conta, blablabla. Ajudou a me deixar insegura, mas aí aprendi a ignorar!

- O que levar na mochila para a trilha?

Eu estava decida a levar uma mochila pequena, de 20 litros, mas aí vi que não dava. Você vai ter que levar consigo durante os 4 dias e 3 noites o saco de dormir, uma esteira para separá-lo do chão e suas coisas pessoais. No fim das contas consegui fazer tudo caber em uma mochila de 30 litros.

Sobre o saco de dormir, por favor, não chegue lá com um material comprado no Brasil. Desencana! Você vai precisar de um saco resistente à temperaturas negativas, então para não passar perrengue alugue um por lá. Usei um de pena de ganso que era mais quente que esse verão abafado de Belo Horizonte. Perto da praça das Armas você acha mil lojas que alugam mochila, roupas especiais, calçados e esses equipamentos.

Sobre as roupas, recomendo que alugue ou compre por lá também. é até barato, comparado com os preços daqui. Leve um casaco resistente á chuva , corta vento… Aquele agasalho de pluma que você ganhou da sua tia vai ficar fora da mochila!

Listo aqui o que levei comigo:

- Prevenções: protetor solar, repelente, álcool em gel para as mãos, pastilhas de cloro para água (que não usei), soroche pills (para o mal estar da altitude)

- Bastão: também aluguei. Preferi aqueles que se adaptam a sua altura (muita gente prefere uns de madeira, tipo cabo de vassoura). Eu gosto muito da opçao, poque quando eu não queria usar eu guardava na mochila. Custo 12 soles para todos os dias.

- Roupas: uma calça de trekking (que vira bermuda, sabe? Comprei por 50 soles là), uma calça segunda pele, uma calça resistente À chuva (30 soles lá). Uma blusa leve para cada dia, uma blusa de manga comprida segunda pele e um agasalho (que você pode alugar também!) resistente à chuva e corta vento. Calcinhas e meia (recomendo meias específicas para trekking!)

- Calçado: o melhor investimento que fiz foi uma bota Vento que comprei. Vi algumas pessoas sofrendo de dores nos pés, bolhas e tal. Eu nem lembrava que tinha pés, de tanto conforto. Uma bota dessas garante que você passe por chuva, calor, molhe e seque o calçado sem que os pés sofram com tudo isso. Recomendo isso tudo com meias apropriadas que vão absorver o suor e não deixar você sentir frio nos pés. Leve também um chinelo. E só.

- Higiene pessoal: a boa vida que levei no Salar de Uyuni me transformou em uma pessoa que sempre acreditava na hipótese de ter um banho no fim do dia, mas aí a trilha inca me mostrou uma nova realidade: NÃO ROLAVA. No segundo dia (o mais punk de todos) eu tentei ser valente e tomar banho na ducha fria que tinha lá no acampamento, mas não rolava, os graus (Quase negativos) me impediram. Então é o seguinte: toalhinha umedecida! Leve um pacote na mochila. Não esqueça também, pelamor de Pacha Mama, o papel higiênico. Já não é fácil usar os banheiros de lá, então, sem chance de você achar papel. Daí o resto do básico (escova de dente, creme dental, etc)

- Toalha (daquelas de acampamento, que secam rápido), capa de chuva, uma boa lanterna

- Lanchinhos (barra de cereal, biscoitinho, bala, folha de coca…). Câmera e bateria extra (não há eletricidade!) No final das contas eu tirei poucas “MachuPictures” -duh!- porque choviscava muito. Algo pra você escutar música durante a trilha pode cair bem.

- Plástico que proteja seus documentos, câmera e tal. Leve as roupas em sacolinhas também para não molhar tudo (você vai suar, é sério).

- Como é o nível da trilha?

O mais tenso da trilha é, de fato, o segundo dia. A gente sobe mais de mil metros. Ora tem escada, ora é um morro mesmo.. Eu achei meio difícil, depois de umas duas horas de caminhada comecei a me sentir mal por causa da altitude e parava todo o tempo achando que ia chamar o juca. O meu estômago ficou meio bugado.

Uma das guias que estava na trilha fez uma coisa muito boa que me ajudou. Tirou da bolsinha uma garrafinha de Água Florida, colocou na mão  e mandou um respirar fundo sentindo a essência. Incríveis essas magias shamanicas. Na hora comecei a ficar melhor =)

De resto, a trilha oscila. Sobe, desce, sobe, desce, sobe, desce. Acho que alguns joelhos vão sofrer as consequências por muito tempo ainda. Eu, grazadeus, não senti nada (Claro, no segundo dia tomei 2 relaxantes musculares antes de dormir).

- Acampamentos

São confortáveis e lindos. É incrível você ir dormir deitado diretamente naquele chão andino. Eu, tilelê que sou, ficava ligadona na energia de cada ponto. Rolavam uns sonhos muito malucos nas noites dormidas lá, coisa de doido.

Quando a gente chega no acampamento, já está tudo pronto, as vezes até com o rango na mesa. Os porters são muito competentes e ágeis. Isso é algo importante para ver na hora de decidir a sua agência (algumas trabalham com burros para levar esse equipamento, e é você quem tem que montar sua barraca depois de caminhar dezenas de kms no dia).

A agência que eu contratei nos obriga a dividir a barraca. Como eu estava sozinha dei uma gelada nessa hora. As única pessoas que estavam fazendo o rolê sozinhos eram homens e eu não tava muito disposta a dividir a pequena barraca com um deles. Daí um suposto casal de venezuelanos (que na verdade eram só amigos, viva ozamigos fofos e compreensivos!) topou me ajudar: o Ronald dividiu barraca com um argentino e a Maria Alejandra comigo. Eles foram o maior presente que encontrei na trilha <3

- Sensações

- Além dessas experiências de ter sonhos surreais e muito vívidos, era interessante sentir uma paz absoluta durante a caminhada. Uma coisa inédita, muito pura.

- O mal estar da subida era uma confusão entre “socorro, vou morrer de dor de barriga” e “vou jucar”. No fim das contas, nada acontecia, fato que aumentava a sensação desesperadora. Mas passou rapidinho. O lance é respirar fundo (viva os exercícios de respiração das aulas de meditação).

- Na maior parte do tempo eu ficava nas nuvens (não no sentido figurado). Era muito legal a sensação de estar dentro da nuvem, no topo de uma montanha. Fixar o olhar em algum ponto, como uma árvore, era divertido, já que as moléculas de água se moviam e davam um efeito de movimento engraçado na paisagem.

- Frio, calor, frio, calor. Ai que vento. Nossa, que calor!!!

- O ar não entra no pulmão nas alturas. É bizarro.

- Sentir muito sono e ir dormir às 9 da noite, acordar super disposta às 4 da manhã. Isso era rotineiro.

- 4 dias e 3 noites sem eletricidade. Que dia eu ia pensar que isso aconteceria na vida? Francamente, nâo senti falta NENHUMA. Nem lembrava!

- Ah.. a Pacha Mama. Que coisa incrível que é aquela vegetação! Selva, floresta, montanha, cachoeira, rio Urubamba violentamente fazendo aquele chiado o tempo todo. Teias de aranhas lindas, perfeitas, matemáticas!

- Os incas eram os caras. Não vou discorrer sobre o assunto, mas é algo de outro planeta tanta nerdice assim!

- Chegar em MachuPicchu, sinceramente, não tem o mesmo impacto. Primeiro porquê a gente estava MORTO, pois no último dia saímos às 4 da matina, e segundo porquê a vivência da trilha é tão grandiosa, que o destino se torna algo menos relevante. Tem alguma frase desses pensadores famosos que fala sobre isso, que se você chegar ao destino e se surpreender é porquê não fez o caminho direito. É bem isso a verdade.

- Tava todo mundo superando um desafio ali. Tinha um casal de americanos muito fofo. Nos momentos de subidas tensas, eles criaram um ritmo para aguentar o tranco sem cansar muito. Pisavam com o direito, o esquerdo, e respiravam fundo. Depois o mesmo, no degrau de cima. E assim os dois criaram uma marcha para superar os momentos mais difíceis da trilha, e juntos seguiam o ritmo, um ao lado do outro. Achei bonito o apoio que um dava pro outro.

- Eu fiquei realmente comovida com os porters. Eles são muito humildes, grandiosos, fortes! Alguns nem falavam castellano, apenas quechua. Eles carregavam bojões de gás, barracas, bancos, tudo nas costas e pisavam certeiramente em cada pedra daquele caminho milenar. Eles sempre passavam concentrados. Enquanto nós, meros mortais, pensávamos muito antes de dar um passo, escolhendo a melhor pedra pra pisar, eles simplesmente caminhavam, e passavam. Calçavam os pés judiados com sandálias de couro gastas, tênis que imitava All-star ou até mesmo chinelos. Não tinha ninguem com mimimi de bota de trekking.

- Lhamas e alpacas são seres evoluídos <3

- Eu já conhecia Machu Picchu, mas tinha feito um rolê sem guia. Com guia é muito mais interessante, fato!

- Na saída do último acampamento o guia nos orienta a fazer uma vaquinha com gorjeta para os porters. Na hora de entregar, o pessoal me escolheu (aquele papo de livre e espontânea pressão) para fazer um discurso em nome do grupo. Soltei meu portunhol e manifestei toda admiração que eles conquistaram do grupo.

 

- Ah.. o grupo! Eu ganhei uma família ali. Tinha muita gente da argentina, que estava sempre a falar sobre os peculiares palavrões de cada lugar e a situação econômica complicada do país. O Mingo, um coreano muito simpático, também era muito carismático. Claro, teve os venezuelanos que eu troxe no coração também.

A história é essa. Eu espero ter ajudado alguém a enfrentar essa aventura, esse desafio pessoal. É purificante, revigorante e lindo!

 

Jogo que transforma deputados em time de futebol ganha prêmio do governo federal

A ideia foi do Mário Mol, um desenvolvedor que trabalha comigo no Escritório de Prioridades Estratégicas. Ele juntou com o Buiú e com o Cadim e começou a executar. Eu entrei na roda logo em seguida.

A ideia era simples: uma versão do Cartola Futebol Clube com dados de deputados federais. Venho aqui fazer um teaser para vocês sobre o PEC – Politica Esporte Clube, uma gamificação dos processos políticos baseados nas atividades dos deputados da Câmara Federal com o objetivo de aumentar o interesse do cidadão pelas atividades parlamentares.

Antes mesmo da ideia estar no ar, vimos o anúncio da Secretaria-Geral da Presidência da República anunciar um concurso batizado “Desafio Participa.BR”, que tinha como objetivo construir um banco de ideias para aplicativos que materializem um espaço de participação social.

Nos inscrevemos, com quase nada pronto, mas mesmo assim fomos reconhecidos! Ganhamos o 1º lugar do prêmio. :)

O que isso significa? Bem, a equipe vai levar um Galaxy S4 de presente, entradas para o FISL 2014 e ainda terá no início do ano que vem uma reunião com gestores públicos do governo federal.

No último final de semana nos unimos (acompanhados do Gustavo Noronha, Metal e Pablo, do projeto Olho Neles) para um hackday e adiantar os trabalhos.

Todo o site do jogo é alimentado com dados abertos, publicados pela própria Câmara dos Deputados. A previsão é que o Política Esporte Clube seja lançado assim que os deputados voltarem ao trabalho e gerem atividades (afinal, o jogo se alimenta desse tipo de dado). Em fevereiro a gente volta a falar disso melhor :)

Abaixo compartilhamos o preview do que existia do site antes do prêmio. Depois do hackday muita coisa mudou (pra melhor!), mas sente o cheiro do negócio aí =)

Que venha 2014 :)

BH ganha pós-graduação sobre redes sociais da internet

A FUMEC vai inaugurar em 2014 a pós-graduação intitulada “Análise de redes sociais da internet“.

É com muita alegria e empolgação que venho contar essa novidade! Vou ter a honra de fazer parte do corpo docente ao lado de grandes nomes da área como Geane Alzamora, Cristina Cypriano, Adriano C Machado (do time de computação da UFMG, que foi meu sub-orientador informalmente no mestrado), Cláudia Chaves (que foi minha professora na graduação), Carlos Falci, Carlos Conti, dentre outros!

Veja mais sobre a proposta:

OBJETIVOS

Habilitar alunos provenientes de diversas áreas de conhecimento a entender e explorar os desafios e as potencialidades que as dinâmicas típicas das Redes Sociais da Internet trazem para a realização de suas atividades. Proporcionar a aquisição de um conhecimento tanto de caráter analítico-conceitual, quanto prático que concilia o aprofundamento teórico com a execução de atividades que colocam em prática os conteúdos aprendidos.

PÚBLICO-ALVO

Profissionais com graduação superior na área de Comunicação (Assessoria de imprensa e Publicidade), da Psicologia (Recursos Humanos), Gestores de organizações públicas e privadas, Coordenadores de campanha eleitoral, Educadores.

As inscrições para o curso já estão abertas e podem ser feitas clicando aqui.

Fica a dica =)