Jan 14 2008

O Apartheid tecnológico da África

Published by Raquel Camargo at 2:05 pm under Jornalismo, Tecnologia

Já parou para pensar como são as condições tecnológicas do continente mais sofrido do mundo?

“Apesar do seu crescimento, a Internet, é ainda de domínio da elite. (…)Por exemplo, na África, o continente menos desenvolvido do mundo, onde 70% da população é rural, o acesso à linha telefônica é inexistente. Existem pouco menos de 20 milhões de linhas telefônicas em todo o continente e quase todas essas linhas estão
instaladas na zona urbana”¹.

Região menos informatizada, continente mais desprovido de infra-estrutura de forma que dificulta o uso de computadores, difícil acesso às novas tecnologias e atraso: assim é o desenho da África.

Longe de alcançar os padrões de telecomunicações, a África se afasta cada vez mais do mundo globalizado e informatizado.

A condição de dependência e subdesenvolvimento tecnológicos que o continente está submetido é a grande pedra do sapato da região. Por causa disso, a África não é capaz de competir justamente no mercado internacional em serviços relacionados à indústria e à tecnologia avançada. Várias outras atividades que também precisam desse processo de informações bem elaborado, ficam impraticáveis.

As políticas praticadas pelo Estado predatório foi, basicamente, o golpe que formou as consequencias que fazem hoje a África estar ainda nos primeiros passos da Era da Informação.

A dramática situação atual do continente Africano tem por causa as atitudes sustentadas pela mídia durante décadas. A imprensa sempre fortaleceu conceitos hostis, assim, incentivando criação de divisão étnicas, o que futuramente, rendeu (e ainda rende) diversos conflitos internos e mata milhões. Foi na década de 90 que os conflitos étnicos deram início no continete, provocando massacres e genocídios.

Guiado pelo “pré-conceito” europeu, o povo africano começou a se guiar como tribos. A “lealdade tribal” era requisito para uma boa convivencia dentro do próprio grupo e exigência política interna.

O governo da época, com bases coloniais, tomavam decisões sempre se baseando na premissao que dividia os africanos em grupos tribais, mesmo quando ainda não existiam divisões (dái então inventavam).

Conforme o tribalismo se proliferavam, facções do exército eram estabelecidas e brigas eram travadas, provocando sempre o sofrimento do povo. Institucionalmente desintegrada, a África sofreu longas datas de extrema violência generalizada e guerra civil interna, desorganizando ainda mais a economia e a preparação do Estado para uma nova era. “Uma conferência organizada pela ONU concluiu que “as medidas de ajuste têm sido implementadas a um preço muito alto e grande sacrifício humano, além de estarem esfacelando o tecido da sociedade africana”, confirmou um estudo sobre o impacto dos ajustes estruturais da África, feito pelo UnitedNations Population Fund

¹- Trecho do artigo Internet na África: via de mão única a serviço da elite, de Leninne Freitas.

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One Response to “O Apartheid tecnológico da África”

  1. Suelenon 16 Jan 2008 at 12:05 pm

    [[O comentário abaixo é um pouco Off-topic, mas tá dentro do contexto Africa.]]

    Tenho um amigo africano e um professor que passou um tempo dando aulas na primeira turma de pós-graduaçao em Comunicaçao em Moçambique, ano passado(!).

    Pelo que eles me contam da vida lá, deu pra perceber que, pelo menos em Moçambique, nao existe classe média. Existem os pobres -miseráveis-abaixo-da-linha-da-pobreza e os milionários. Nesse segundo grupo, estao aqueles que têm condiçoes de comprar os equipamentos eletro-eletrônicos mais top de linha do mundo, de celulares a Tvs de plasma, carros e etc. Também sao estes do segundo grupo que podem comprar coisas como pizza, papel higiênico, comidas processadas, pq o país nao produz absolutamente NADA e é TUDO importado, até farinha de trigo, arror, carne e afins.

    Nao consigo nem imaginar como é a vida do primeiro grupo, o dos miseráveis…

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