Pela segunda vez Belo Horizonte tem a possibilidade de ajudar a decidir o Orçamento Participativo da cidade através da internet.

Em 2006 a experiência permitiu eleitores  escolher nove de 36 obras oferecidas pelo governo da cidade, sendo que os recursos destinados à OP Digital chegaram a aproximadamente R$20 milhões, segundo o site IDGNow.

Dessa vez, o investimento previsto é de até R$ 50 milhões, e com isso grandes obras viárias que podem beneficiar milhares de pessoas poderão ser decidas, dentre cinco opções oferecidas.

Se a iniciativa é uma boa, o problema da vez é o sistema de votação do Orçamento Participativo Digital 2008. O mineiro Samuel Vignoli descobriu a fragilidade do site que recebe os votos e mostrou como é fácil burlar o processo.

Para votar, basta ter o número de inscrição do título de eleitor e zona eleitoral. Sem exigir mais nenhuma informação da pessoa que vota, a possibilidade de beneficiar uma ou outra obra usando títulos de outros eleitores ameaça o processo.

Para ver quão grave a denúncia é basta fazer uma rápida busca no Google, procurando “data de nascimento” e “naturalidade belo horizonte”. Inúmeros dados são informados, e conseguir o número de eleitor dessas pessoas é muito simples. Com nome completo e data de nascimento em mãos, basta fazer uma simples consulta no site do TRE-MG, e pronto, o número exigido para fazer a votação é informado.

Vignoli, que descobriu todo o esquema, acredita que essa falha pode ser usada de má fé de várias formas. “Desde alguém tirando o direito ao voto de outra pessoa a associações de moradores e até empresas interessadas em abocanhar uma obra de mais de 46 milhões de reais”, afirmou.
Abaixo um vídeo feito por mim e colegas de trabalho, mostrando como é fácil burlar o sistema.