Raquel Camargo
Atualidades úteis e fúteis
Atualidades úteis e fúteis
Me assusta ver todo o país atento às novas regras gramaticais. Esse Acordo Ortográfico tem muito mais de desacordo, para ser franca. Em time que está ganhando, não se deve mexer, acredito.
Exterminar o nosso caro acento diferencial é um perigo. Desse jeito, tudo igual, sem nenhuma característica para diferenciarmos uma palavra da outra, como faremos? “Prudente sempre, o motorista para para não provocar um acidente”. Cadê a personalidade própria do verbo nessa frase? Se perdeu com esse desacordo ortográfico!
O hífen, a trema e demais itens de nossa ortografia também terão suas vidas mudadas radicalmente a partir de agora. Triste vida, maldita falta de livre arbítrio!
Prefiro nem pensar nas edições de revistas e jornais, que terão a parte “Erramos” ampliada por causa dos possíveis erros cometidos pela adaptação dessas novas regras. Diga lá, queridos Manuais de Redação e Estilo, quais serão os novos “macetes” para fazermos tudinho como estão mandando?
Eu teria muito mais gosto vendo a nossa língua sendo transformada em algo mais acessível, através de iniciativas voltadas para a educação, e não para o início de uma grande confusão. Essa reforma não terá ganhos diretos reais para a nossa (pobre) qualidade de ensino.
A grana envolvida nessa novela é absurda. Foram milhões de reais nossos destinados à preparação dessa onda (recursos, salários de políticos e demais profissionais envolvidos) e, claro, o dinheiro que vai rolar para as novas edições dos livros adaptados não vai ser pouco.
Posso parecer pessimista, mas o projeto de unificação parece-me um plano utópico, muito difícil de ser alcançado. “Se o espanhol conseguiu se organizar, a gente também consegue”, podem dizer, mas para mim, no fundo isso tudo é questão de vaidade e comércio.
Para quem está a procura de ajuda com as novas regras, dá uma olhada no blog Ladybug Brasil, que já tem várias dicas.
12/01/2009 - 15:25
Ah Raquel… que xororô.
Você fala como se fosse a primeira reforma, como se a molecada nova não fosse crescer já acostumado e como se fosse GRANDE coisa assim… é só uma palavrinha aqui, outra ali, não mata ninguem. Daqui a um tempo quem vai se lembrar disso?
O Brasil já passou por várias reformas e eu mando um “beijo me liga” pro trema, que eu nunca vi ninguem usar e não fosse reformas como essa ainda seriam obrigatórios em textos padrões, bem como várias outras excentricidades idiotas do português.
13/01/2009 - 10:39
Concordo com você, Raquel.
Não vejo função nenhuma nesse acordo ortográfico.
E você, Leon: VAI SE FERRAR! =D (desculpa a sinceridade)
O trema tem função fonética na língua… Sem ele, pingüim vira pinguim. Num faz sentido.
Uma das coisas mais chatas da língua portuguesa, que é a crase, continuou lá, firme e forte… aaahhh… qual é!?
13/01/2009 - 10:52
o que eu acho mais chato dessa reforma é que tem objetivos meramente diplomáticos. De nada adianta tentar unificar a grafia de todo o português, se em cada país usa-se palavras diferentes. Fila, em Portugal, se chama bicha, por exemplo.
13/01/2009 - 13:25
Concordo. Alguns jornalistas amigos meu de portugal, estão boicotando a Reforma.
Escrevi um Breve Manual para se Adaptar:
http://formigueirocomunista.com/2009/01/breve-manual-para-se-adaptar-a-cabalistica-reforma-ortografica/
(uma abordagem curta e cômica da reforma)
Forte Abraço!
01/04/2009 - 20:58
Eu concordo com ela. Pq estudar portugues ja é um pouco complicado com aquelas regrinhas, e agora vai ficar pior ate nos adptarmos.
27/05/2009 - 22:13
Bom, “uma palavrinha aqui, outra ali” não foi, não: mais de 2.000 palavras foram modificadas. Não sejamos inflexíveis e extremistas (nem pessimistas!), têm coisas, ops!, tem coisas que poderiam, sim, serem retiradas, como a maioria dos acentos diferenciais (só não concordo com o do verbo parar, como Raquel), e continuamos a entender seus sentidos, manga fruta e parte da camisa são palavras iguais de sentidos diferentes e não precisamos de acento diferencial para identificá-las.
Essa história de que ninguém mais usava o trema não é bem assim: eu usava o trema! E muita gente da minha sala também! não achava correto deixá-lo subentendido, visto que ele tem uma grande função fonética. Na verdade, as pessoas não usavam porque esqueciam, isso sim!
Não queria que o trema fosse eliminado, mas se esse é o caso, temos de nos acostumar.
Realmente, Já houveram outras reformas e o Brasil sobreviveu à ela.
Quanto à crase, ah! fala sério?! Sem ela (experimente, Diego, se quiser…) muita coisa teria duplo sentido. Ela é tão importante quento o uso de preposições, artigos…
Quando Raquel diz que foi gasto um dinheirão e ainda será mais gasto por conta das reedições de livros, ela está certa! Mas os objetivos da reforma não são meramente diplomáticos: há muita confusão de traduções e adaptações de livros de e para a Língua Portugues, que, por conseqüência (consequência, agora, fazer o quê, né?), sai mais caro para o Brasil, já que somos nós quem mais modificamos o idioma oficial português.
O acordo vai facilitar mais coisas do que dificultar. A adaptação é, embora demorada e, digamos, complicada, é o de menos. Com o tempo (um bom tempo, vale ressaltar), nos acostumaremos.
…
Só mais um detalhe: do mesmo jeito que as letras mudas, agora excluídas por causa do acordo, irão sumir com o tempo da pronúncia dos portugueses (”baptismo” passará, a longo prazo, pelo hábito de escrever, será pronunciado de “batismo”, como nós); também mudaremos, passadas algumas décas, a chamar “lingüiça” de “linguiça” (admita a pronúncia do gui sem o u, como em guitarra).
Pronunciem para ver. Estranho, né? Por isso não queria que o trema saísse…
04/11/2009 - 05:06
Em PORTUGAL SE USA A PALAVRA BICHA APENAS PARA DESIGNAR UMA FILA DE ESPERA.
EM PORTUGAL SE USA FILA PARA TODO O RESTO QUE NAO TEM NADA A VER COM FILA DE ESPERA.
OS CARROS ESTAO EM FILA (NAO SE DIZ EM BICHA)
AS CASAS ESTAO EM FILA (NAO EM BICHA)
AS CRIANçAS VAO à ESCOLA EM FILA ETC…