Archive for setembro, 2009

SuPerSonas: Flávio Rezende, o cara da animação 3D

Inauguro hoje o SuPerSonas, categoria para entrevistar, apresentar ou qualquer coisa do gênero envolvendo pessoas que são phodas em alguma coisa. De fato, todo mundo é.  :)

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Não é raro a gente babar ovo de gringo por trabalhos profissionais e não saber os talentos que existem aqui do nosso lado.  Esses dias conheci o trabalho do Flávio Rezende, um cara que é um quase vizinho meu e que produz animações de fazer chorar sangue.

Além de produzir animações 3D profissionais, Flávio também desenvolve trabalhos publicitários com seu empreendimento homônimo.

O último trabalho do Flávio foi lançado essa semana, e se trata do novo clipe da banda Mundo Livre S.A.. A animação em questão foi produzida apenas pelo próprio Flávio. Veja abaixo:

Fiz uma humilde entrevista para tentar descobrir que é o Flávio e apresentá-lo a vocês, junto com suas criações.

Raquel: Quem é você, filho de Deus, talentoso desse jeito e perdido nessa cidade?

Flávio: Filho de Deus sim talentoso é por sua conta rs, tento equilibrar bem minhas dificuldades em animar e modelar sou um aspirante ainda. Tenho 28 anos, sou de Belzonte

Raquel: Como você aprendeu a trabalhar com animação? (Frase com sentido duplo, fica até engraçada)

Flávio: Sou meio autodidata, me oriento por livros fóruns e por ai vai. Tenho formação acadêmica que me ajuda um pouco na hora de conceituar, mas não esta diretamente ligada a atividade 3D. Sou especialista em radio e TV, me formei em comunicação social

Raquel: Quais são suas referências? O que te inspira?

Flávio: Sou um aspirante a profissional de CG (computação gráfica), comecei a estudar há pouco tempo, gosto do trabalho de animação do Tim Burton suas animações tem um ruído que me agrada. Dediquei muito tempo a formação acadêmica agora comecei a estudar o que realmente me deixa entusiasmado que é a tecnologia em computação gráfica. Gosto de pizza, internet, cinema e pubs

Raquel: Sobre o clipe da música  A Fumaça do Pajé Miti Subitxxi, recém-lançado, como foi o processo de criação, elaboração de conceito e tudo mais?

Flávio:A musica fala sobre a biopirataria, trafico de DNA indígena, fiz uma pesquisa com dados existentes e comecei a desenhar alguns quadros, trabalho somente com storyboard e anotações, gosto de “ver” as cenas como em um gibi (nada contra a parte textual), com alguns quadros conceituais aqueles que a gente desenha melhor e o storyboard pronto comecei o trabalho sujo rsrs, render, pós produção montagem

Raquel: E a produção, a parte mão na massa? Como aconteceu? Durou quanto tempo?

Flávio:Levei 4 meses não podia dedicar muito tempo ao projeto. A produção foi tranquila com boas referências, storyboard e blueprints (referências para modelar), o trabalho fluiu legal.

Para aqueles que curtiram o trabalho do Flávio, vale dar uma olhada a mais no canal dele no Youtube. Para contato, visite o site dele!

E para aqueles mais curiosos, o Flávio compartilhou também um making-off da animação citada acima. É legal ver o processo de elaboração da obra. Taí!

Caminho inverso? Livros digitais do acervo do Google poderão ser vendidos impressos

A polêmica sobre livros digitais ainda nem começou, pelo visto. Vejam essa.

Na última semana o Google firmou uma parceria que permite a liberação de parte do acervo de livros digitalizados para impressão. O acordo.

A parceria envolve uma máquina capaz de imprimir um volume de 300 páginas em brochura em 5 minutos. Batizada Espresso Book Machine, a novidade poderá imprimir todos os livros que estão em domínio público (o que envolve publicações feitas antes de 1923) e que estejam dentro dessa biblioteca digital.

A empresa dona da máquina, On Demand Books, começa agora a decisão da corte federal dos Estados Unidos para conseguir se o Google poderá mesmo comercializar os livros que já não são mais encontrados para compra e que fazem parte do acervo digital que têm (acervo tal que passa de milhões de obras).

Caso tudo dê certo, os livros poderão ser comprados por aproximadamente US$8 (cerca de R$15) , média que pode ser alterada pelo estabelecimento que venderá as obras.

A cada livro que for vendido, um dólar será enviado para a empresa dona da máquina, a On Demand, e outro um dólar para o Google, que deve doar sua parte para ações sociais.

Veja mais sobre o projeto nos vídeos abaixo:

Dica de curso

Meus caros, em outubro vou dar um curso de extensão na faculdade Newton Paiva, em Belo Horizonte, e agora quero convidar todos.

O título do curso é “A Comunicação na nova Era da web”, e o papo por lá será voltado para mídias sociais.

Pode confessar que tentar trabalhar com comunicação (mesmo que seja para uso pessoal) com esse tanto de coisa (Twitter, Facebook, Delicious, Wordpress, Ning, Blog, Last. Fm, Flickr, MySpace, e mais duas mil etcs) não é tarefa fácil. Daí vou tentar ajudar todos a lidar com isso tudo.

O curso acontece em dois sábados, 3 e 17 de outubro. Para aqueles que tiverem interesse, fiquem a vontade para saber todos os detalhes aqui na página do curso.

Vende-se carro. Tire uma foto e saiba mais

Sempre me perguntei as conseqüências de se colocar o número de telefone no vidro do carro, anunciado a venda do mesmo.

Para evitar trotes e fadigas provocadas por esse tipo de situação, envolveram agora o QR Code em um projeto para venda de carros.

O site QR Car é um serviço que gera um código (QR) com todas as informações necessárias para a venda de seu carro.

O QR Code é uma espécie de código de barras que só pode ser lido por câmeras de celulares que têm determinados programas instalados.

Para cadastrar o anúncio basta colocar no site as informações do carro e da venda e imprimir o papel, e enfim, colocar no para-brisa.

A ideia é bacana e talvez possa ajudar a deixar menos exposto seu número de telefone. Por outro lado, o sujeito pode “inibir” possíveis compradores, pois a popularidade do QR Code ainda não é lá essas coisas. Mas a ideia foi válida! :)

História da Mídia Sonora disponível na web

O Grupo de Mídia Sonora da Intercom lançou um livro contando a história do rádio no Brasil.

Batizado “História da Mídia Sonora: Experiências, memórias e afetos de Norte a Sul do Brasil” foi editado por Luciano Klöckner e Nair Prata (Orgs.).

Com divisões que passam pela memória do rádio, o jornalismo, política, perfis, música, educação, dentre outros temas, a publicação pode ser baixada de graça.

Faça o download gratuito do livro “História da Mídia Sonora”

Mídia quadrada x Mídias Sociais

Demorei, mas enfim, vou comentar o assunto.

A Folha de São Paulo e o Globo criou recentemente regras direcionadas aos jornalistas com orientações sobre utilização de blogs, Twitter e redes sociais.

Com manual já normatizado (e polemizado), a Folha coloca cercas nas possibilidades de usos dos jornalistas da instituição. A priori, a norma do maior jornal impresso do Brasil dita que os jornalistas/autores não devem assumir posição relacionada À partidos, candidatos ou campanhas, e proíbe “furos” através de meios de publicação particulares.

De fato, isso não é injusto. Afinal, quando trabalha na apuração de um fato que será transmitido ao grande público por meio de um grande veículo não é ético o profissional tomar partido antes e adiantar a notícia de forma não oficial. Se seu produto final é conteúdo jornalístico e de entretenimento, talvez divulgar o que seria inédito seja uma forma de concorrência.

A íntegra do comunicado interno da folha, de acordo com o blog Toledol, a editora-executiva Eleonora de Lucena frisa:

“Os profissionais que mantêm blogs ou são participantes de redes sociais e/ou do Twitter devem lembrar que:

a) representam a Folha nessas plataformas, portanto devem sempre seguir os princípios do projeto editorial, evitando assumir campanhas e posicionamentos partidários;

b) não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha.”

Apesar de defender inicialmente, considero, num todo que a empresa em questão não trabalha com um pensar de “colaboração”, de “transmissão”. Creio que um meio termo deveria ser buscado antes da decisão.

Além disso, é fundamental pensar no grande suporte que o Twitter dá quando o assunto são “furos jornalísticos”. Segurar uma informação que poderia ser divulgada no Twitter por causa de burocracias e processos que só permitem que a mesma seja publicada tempo depois (quando talvez o fato já esteja frio), é um pensamento infeliz.

Em algumas palestras que já dei sobre Twitter, citei o exemplo vivido em 2008. Quando a cidade de São Paulo sofreu um terremoto, o Twitter já anunciava o fato mais de vinte minutos antes que a própria Folha de S. Paulo. Observem a data e horário de publicação de cada uma das imagens.

Enquanto a publicação se mantinha no silêncio por motivos de apuração, já era possível recolher diversos depoimentos sobre o fato através do microblog. Isso é algo que exige uma reflexão…

Não estou dizendo que o Twitter vai substituir as publicações tradicionais, nada disso. Mas acho que um pode, de fato, complementar o outro. Se o Twitter é tão instantâneo, façamos dele uma ferramenta para facilitar a velocidade de propagação das informações. E as páginas formatadas do site oficial do jornal continuarão com o seu papel, trazendo a notícia completa, bem apurada e com detalhes. Acho que o leitor só teria a ganhar!

A moda pega!

Antes mesmo de tomarmos ar ao saber da decisão da Folha, lá veio a Globo entrando no ritmo e restringindo o uso de redes sociais pelos contratados. É, Blog, Facebook, Twitter, Orkut, MySpace e tudo mais está vedado.

PROIBIDOS: “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas a Globo; ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”. É isso que diz o blog de Lauro Jardim.

Agora, se o artista da Globo quiser usar alguma rede social ou publicar um blog, precisará pedir autorização ao veículo.

A justificativa da Globo é a tentativa de proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”. Pois isso, para mim, tem cheiro de censura, apesar de ter também uma lógica embutida.

A começar, o fato de trechos dos comunicados internos vazarem já é algo a se pensar (em ambos os casos), afinal, não adianta restringir nada, pois quando a coisa tem que que degringolar na internet, vai acontecer.

Essa decisão (que para mim é) radical, para mim é reflexo do uso experimental de redes sociais por celebridades, fato curioso que gerou um artigo interessante feito pelo Alex Primo.

Para falarmos de exemplos acontecidos aqui no Brasil, lembro-me de cara do Bruno Gagliasso que há alguns dias divulgou no Twitter uma foto que, praticamente, denunciava o final da novela Caminho das Índias. Uma imagem de dois bonequinhos de decoração de noivos foi publicada no microblog, indicando que haveria casório no fim da trama e virou notícia.

O ator que é fã assumido do Twitter já se manifestou sobre as normas da Globo, deixando clara sua insatisfação. “AMO O QUE FAÇO: ARTE!!!SOU CONTRA QUALQUER TIPO DE CENSURA.”, publicou ele pelo seu perfil.

“A independência da imprensa especializada em celebridades também é posta sob suspeita. Turner (2004) aponta que é possível observar um certo alinhamento entre as notícias publicadas pelos tablóides e os interesses da indústria de entretenimento.”, escreveu Primo no artigo citado acima.

Isso é verdade, verdade clara. Basta dar uma olhadinha no Google. Enquanto esse tipo de pensamento for adotado, a tal crise dos veículos tradicionais somente será agravada e a bola de neve das censuras veladas somente irá aumentar.