Raquel Camargo
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By uskatpayday loans
Aquele que era um projeto pouco claro, com objetivo de esenvolver uma interconexão de computadores, hoje é capaz de ser o ambiente palco de mudanças radicais. O potencial da Internet está sustentado na habilidade de superar barreiras que impediam o acesso a uma massa de informação para consumidores comuns.
O que faz a dinâmica da internet ser assim tão impactante é a base social que há ali dentro, algo como um “circuito locomotivo” (conforme Ortiz, 2004) que mostra como nosso espaço é vulnerável à desterritorialização e flexibilidade.
Um fator que faz tantos se apaixonarem pela web é a possibilidade de voz ativa para todos. Online, qualquer um pode se tornar um produtor, pode ser um emissor de conteúdos e conquistar relevância, público e relacionamento com seus destinatários.
Apesar de termos bem perto a chance de agir colaborativamente publicando em blogs, microblogs, compartilhadores de fotos e afins, não é bem o que tem acontecido. A pluralidade de vozes que pode ser feita através da web, no fundo, ainda está longe de ser intensa.
Um exemplo disso? Vamos falar de Twitter. Um tanto de gente fala que vai criar um Twitter e não um blog por que ali é fácil publicar algo, mais rápido e conciso, e assim acredita que poderá fazer conteúdo de relevância de forma mais prática.
Uma pesquisa de Harvard publicada em 2009 mostrou que uma pequena parte dos usuários do microblog é realmente a responsável pela geração de conteúdo. O estudo apontou que 10% dos “arrobas” são os autores de 90% do conteúdo postado ali.
O gráfico abaixo mostra com dados mais atualizados a produção de mensagens no Twitter. Já nesse gráfico constam 20% dos usuários como autores de Tweets e pode-se perceber também uma grande quantidade de pessoas apenas retwittando ou sustentando postagens triviais.

O mesmo acontece com blogs. Pense: quantos blogs você já visitou e viu que não passava de um CTRL+C CTRL+V de matérias de jornais, revistas, de mensagens que recebemos um milhão de vezes por email e só?
A fatia que realmente gera conteúdo na web é pequena perto da quantidade de pessoas que temos online. O que me incomoda é pensar o motivo disso. Se temos hoje a chance de sair da ditadura das mídias tradicionais, por que isso ainda não acontece com força?
Minha avó só tinha acesso à informações através de conversas no seu bairro ou dos meios convencionais de notícias (rádio, jornal e, mais tarde, a TV). Já nós não temos razão para ficar nessa de monopolização de fontes. Existem blogs muito mais confiantes e relevantes que revistas de grandes tiragens por aí, não é mesmo?
Creio que essa falta de consciência do poder que temos, de que temos em mãos contas em redes e mídias sociais que nos dão voz quase tão ativa aos tradicionais meios de comunicação, seja um reflexo dessa colonização de informações. A minha avó já está entendendo isso também.
O que você já fez para mostrar o poder que temos com as redes? Aquele papo de ser o quarto poder já não é mais só do jornalismo, pode ser de qualquer um de nós. Cutucar um político via Twitter, Formspring, exigir nossos direitos pelas redes, enfim, tudo isso está ao nosso alcance e é de graça. Isso aqui é uma ágora online.
Qual foi o bom uso das mídias sociais que você fez hoje?
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Dicas de posts do blog de Eleições:
Vídeo de sá tiras de candidatos provoca reação do TRE-MG
Estadão apóia Dilma no Twitter “sem querer querendo”
Referências: ORTIZ, Renato. Mundialização e Cultura. São Paulo. Editora Brasiliense, 1994.
Imagem: Comunicadores
04/08/2010 - 19:50
Nunca tinha passado por aqui!
Ótimo, parabéns.
06/08/2010 - 09:24
só não concordo com o “babozeira” = “vou almoçar”. afinal, o twitter partiu disso… sei lá, acho errado menosprezar essa forma de uso.
06/08/2010 - 09:28
Ei Matheus, tudo bem?
Obrigada pelo comentário.
Eu não chamo isso de “baboziera”, não condeno quem faz esse tipo de postagem (eu, inclusive, as vezes faço updates bem triviais), só acho que as pessoas mesmo falando coisas do tipo podem também fazer mais diferença na internet, entendeu?
Um abraço,
Raquel
06/08/2010 - 10:16
Esse processo de mimetização tem mais a ver com antropologia do que com o comportamento individual. Mesmo quem escreve algo “original” reinterpreta signos a partir de um pré conhecimento, talvez um pouco mais elaborado. A questão é que cada um copia de um jeito, com mais ou menos critério.
Quem sabe o que consideramos “original” pode ser o “inesperado”, se for visto de uma maneira mais analítica.
Uma questão mais interessante para se debruçar não é o que as pessoas fazem mas por que/para que elas fazem.
06/08/2010 - 15:02
Ei Luiz,
valeu pela visita e comentário.
Copiar, colar, retwittar sem dúvida também acrescenta no processo, faz a diferença e pode sim trazer significados novos à ocasião, entretanto acredito que nisso deva ter também doses de produção.
Produção pode ser também a opinião da pessoal, a análise crítica dela, os pontos de vistas feitos pela leitura dela acompanhada do copiado/citado.
Um abraço