Supersonas: Manoel Lemos fala sobre o blog Fazedores

:: Fiz esse post para o blog do Movimento Minas, mas curti tanto o papo que resolvi trazer para cá também ::

Foi lançado há duas semanas o blog Fazedores, que tem como principal objetivo falar da cultura maker.

Quem falou com o Movimento Minas foi o Manoel Lemos, o idealizador do projeto. Who? Veja a apresentação dele:

Olá, meu nome é Manoel Lemos e sou fundador do Fazedores. Sou engenheiro da computação pela UNICAMP, estudo estratégia e inovação no MIT, adoro inventar coisas, mergulhar com tubarões e motivar minhas filhas a conhecer o mundo e a entender como as coisas funcionam. Sou casado, mineiro de Araguari e trabalho na Abril como Chief Digital Officer. Adoro empreender, ajudar outros empreendedores e também atuo como investidor anjo em startups que queiram mudar o mundo. HeyHo!

E para contar sobre o projeto, ninguém melhor que o próprio “fazedor”. Acompanhe a entrevista :)
Quando e como você começou a se identificar com o Movimento Maker?

Manoel Lemos: Na realidade sou meio fuçador desde criança. Comecei a brincar com eletrônica e computação quando tinha uns 8 anos de idade lá em Araguari. Mas a identificação com o movimento maker de maneira mais estruturada aconteceu a uns 4 anos atrás quando resolver conhecer um pouco mais sobre o Arduino. Sempre gostei de construir coisas, especialmente as que conectam computadores e sistemas digitais ao mundo físico e quando conheci o Arduino achei que ele poderia ser o caminho para realizar algumas de minhas idéias. Depois a ligação foi crescendo naturalmente à medida em que eu estudava mais sobre Arduino também acabava sendo exposto a este fenômeno muito maior que é a cultura e o movimento maker.

Como a filosofia fazedora pode agregar política e socialmente?

Manoel Lemos: Acredito que a principal transformação é a democratização dos métodos e técnicas de fabricação de coisas. Isto aumenta de maneira drástica as possibilidades de acesso a diferentes objetos, ferramentas, máquinas, appliances e todo o tipo de sistema que antes eram oferecidos a preços inacessíveis para uma grande parte da população. Este acesso, por sua vez, traz a possibilidade de transformação da vida daquele indivíduo e da comunidade a sua volta. O potencial de impacto social é enorme. Em uma escala diferente, podemos pensar num paralelo com o que a Internet e as mídias sociais significaram. Se a Internet democratizou o acesso a informação e a comunicação, o movimento maker pode fazer o mesmo com o acesso as coisas e a diferentes tecnologias.

Qual a diferença entre a cultuar maker com a cultura hacker?

Manoel Lemos: A cultura hacker.
Esta é uma pergunta difícil, pois acredito que elas são muito parecidas. Não consigo ver a cultura hacker sem pensar nela de maneira mais ampla e na possibilidade de hackear tudo a nossa volta, computadores, medicina, culinária, moda, etc. Olhando pelo lado da cultura maker, ela fala de construção, reparação e modificação de coisas em geral. Não acredito que sejam a mesma coisa, mas que elas compartilham muito de suas idéia centrais, princípios e filosofia. É como se uma fizesse parte da outra e vice-versa.

O Movimento Maker pode absorver qualquer tipo de profissional, ou apenas aqueles que trabalham diretamente com desenvolvimento?

Manoel Lemos: Qualquer tipo de profissional. O Movimento Maker é bem mais abrangente do que normalmente pensamos. Claro, o lado tecnológico ligado à eletrônica e à computação acabam aparecendo bastante, mas o fenômeno é muito maior e mais eclético. Temos makers trabalhando com carpintaria, metalurgia, moda, etc. Além disto, acredito que qualquer pessoa pode desenvolver as habilidades necessárias para se tornar um maker. Isto faz parte do processo. Um aspecto fundamental do movimento é o de compartilhar seus projetos e seus conhecimentos para que outros makers possam aprender e se inspirar com eles. Hoje existem centenas de opções para quem quiser começar a aprender a programar ou trabalhar com eletrônica. Acho que na realidade somos todos Makers. Quem nunca bolou uma solução para um problema em sua casa ou tentou consertar algum objeto quebrado? Então a resposta é sim, todos podemos ser fazedores!

O que é necessário para alguém ser um “fazedor”? Que tipo de conhecimento básico é preciso ter?

Manoel Lemos: A resposta mais simples seria: tempo e vontade. E acho que é bem por ai mesmo. Começando com pequenos passos e buscando aprender a cada um deles qualquer pessoa pode se tornar um fazedor. Claro, conhecimentos básicos de programação, eletrônica, mecânica e outros ajudam muito, mas não são requisitos. A Internet está repleta de conteúdo educacional para as mais diferentes áreas. Basta começar.

Quais são os planos para o blog Fazedores? Há alguma pretensão de organizarem eventos, cursos e afins?

Manoel Lemos: O Fazedores nasceu como uma válvula de escape para minha ansiedade com as possibilidades do Movimento Maker. Resolvi canalizar o meu escasso tempo livre para construir um ponto de encontro para a comunidade maker brasileira.
A ideia é divulgar o movimento, conhecer outros makers e, principalmente, inspirar outras pessoas a se engajarem. Claro, com o tempo já penso em expandir o projeto para outras áreas como a criação de conteúdo educacional mais estruturado, encontros de fazedores e também um espaço para a colaboração e troca de conhecimento de maneira mais aberta. Mas ainda é muito cedo para falar disto. O foco agora é atrair gente para ajudar no projeto, divulgar a ideia e escrever bastante!

Clique aqui e conheça o blog Fazedores.

Supersonas: Luis Leão

Conforme prometido no post anterior sobre Arduino e arte, trago aqui uma entrevista com o amigo programador e (por quê não?) artista, Luis Leão, palestrante do Intercon Imaster 2011.

O currículo dele é esse, mesmo, e começo com a pergunta do leitor Cael (desculap a demora, Cael, aí está!)

Dúvida do Cael: Já montei diversos robôs utilizando a plataforma Arduino, mas todos sem câmero. Gostaria de saber qual câmera ele usou (poderia enviar o datasheet?), e como ele fez o streaming do vídeo (ele serializou e enviou via wifi? não houve perda de performance?). ELe fez algum tratamento de colisão? Aplicou algum algoritmo de visão computacional (talvez identificar uma obra e mostrar detalhes sobre ela).

Luis Leão: Foi criado um sistema independente para streaming da câmera. Não tenho so detalhes do equipamento utilizado, pois foi criado pela outra empresa envolvida no processo. A única informação que posso dar com certeza é que ela é uma câmera wifi com suporte a H.264 (que permitia a CDN conectar no streaming local da câmera e retransmitir). Esse processo foi criado e executado pela LiveContent.
(Outras perguntas)
Como programador, você se acha um bom artista?
Luis Leão: Huahuauauh. Acho que a pergunta mais correta seria: isso é arte? O processo de criação foi todo da F/Nazca e na Plankton só executamos o projeto (encontrando a solução do robô e criando o aplicativo de controle).
Foto de Luis LeaoFora isso, conte-nos como foi o processo de criação!
Luis Leão:
A F/Nazca idealizou o projeto e procurou alguns parceiros que pudessem viabilizá-lo. A ideia chegou completa e foi um complemento da campanha “Aos curiosos” da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Foram envolvidas várias empresas, um Atelier Casa do Trem que criou o gato em fibra de vidro, a GetWi responsável pela rede wifi; a LiveContent pelo CDN (Content Delivery Network) e a Plankton pela execução do hardware (incluindo a solução para alimentação da câmera wifi).

Nosso escopo era criar um robô no formato de um gato que pudesse ser controlado por uma fanpage do Facebook e em função do prazo utilizamos uma plataforma pronta, conhecida com iRobot. É o mesmo hardware do Roomba, um robô aspirador de pó, em uma versão de desenvolvimento.

Controlá-lo foi a parte fácil: um Arduino com um módulo wifi conectado ao iRobot recebia os comandos vindos do servidor e executava a movimentação do robô. O mais complicado foi criar o sistema de filas em php, responsável por controlar o tempo de cada visitante e transmitir os comandos.

SuperSonas: Aninha Cunha, a garota que cantou com Jason Mraz

O cantor Jason Mraz passou com sua atual turnê pelo Brasil nas últimas semanas, e também marcou presença no palco do Chevrolet Hall, em Belo Horizonte.
Show bonitinho, padronizado seria se… O cantor não chamasse uma mocinha para cantar com ele no palco o sucesso “Lucky”.

A sortuda que dividiu o mesmo microfone que Mraz é Aninha Cunha, moça lindona de 19 anos que eu conheço há um tempo e que tem um talento de deixar qualquer um chocado.

Ela teve um considerado destaque na net no ano passado, quando fez uma versão acústica da música “Eu Sou Stéphany” (se não lembra veja aqui).

Neste último domingo de novembro, 29, com a ajuda de integrantes de uma comunidade do Orkut  Aninha conseguiu chamar atenção do ídolo e mostrar sua bela voz para milhares de pessoas.

(Aninha é chamada para subir ao palco aproximadamente aos 2 minutos)

Troquei uma idéia com ela sobre esse evento, e também sobre a vida dela (que por incrível que pareça, ainda não é só de música). Conheçam aí a Aninha e o trabalho dela.

aninha
– Você já havia conversado antes com Jason ou o convite foi surpresa?
Infelizmente não havia. Foi coisa do momento mesmo.
– O que estava escrito no papel que você exibia?
Estava escrito “Jason, let me sing ‘Lucky’ with u!” . E outras 30 pessoas seguravam um também, fazendo referência a mim.
– Essas pessoas todas você já conhecia, ou foi algo combinado pela internet?
Foi combinado na internet e as conheci no dia anterior ao show!
Pelo Orkut, na comunidade do Jason foi onde começou todo o movimento. Inclusive com o apoio de pessoas de outros lugares do Brasil.

– E depois do show, você pôde conversar mais com ele, né? Conversaram algo sobre música mesmo?
Sim, a produção me convidou a voltar no camarim. Conversamos amenidades.. Sobre o Brasil, os shows.. Elogiei bastante e também recebi muitos elogios vindos dele, fiquei muito feliz!
– Agora, fora desse frenesi que foi sua participação no show de Mraz, você descobriu o talento de cantora quando?
Eu sempre gostei muito de cantar e cantava no chuveiro, como todo mundo. Mas comecei a mostrar pro pessoal assim faz pouco tempo. Cerca de 2 anos, quando criei o meu canal no Youtube!
– Você acha que, de alguma maneira, o Youtube (e outras redes sociais) ajudam você a melhorar enquanto cantora?
Com toda certeza. Inclusive a diferença é notada facilmente quando assisto vídeos meus mais antigos e depois os recentes. Tenho vergonha de mim no início! Hahaha.
– Você faz curso superior de quê mesmo? Nunca pensou em estudar música, ou vê possibilidades de conciliar as duas coisas?
Faço Ciências Atuariais. Vivo em um mundo de cálculos loucos e cabeça doendo. Já pensei sim, mas é complicado. Porque tudo foi sempre de ouvido, não tenho muita noção de teoria. E comecei com o violão há um pouco mais de um ano.
Aí procuro evoluir sozinha mesmo, vendo o que tá errado, o que tá certo, o que as pessoas criticam e o que elas elogiam. (Tendo sempre bom senso, claro.)

– Se você recebesse agora uma proposta que te impedisse de continuar seus estudos e carreiras na área que você estuda para se dedicar à música. Você toparia?
Se a proposta estivesse dentro do que eu sempre quis pra mim, com toda certeza.
-Quais são os principais nomes da música que te influenciam?
John Mayer, Jason Mraz, Sara Bareilles, Colbie Caillat. Nacionais posso citar Marisa Monte, Liah e Ed Motta.

Vale a pena dar uma olhada no Youtube da Aninha e segui-la no Twitter.

Atriz e autor de Malhação falam sobre internet

Eu confesso que Malhação foi um dos programas televisivos que formou meu caráter. Sério, eu tinha uns 12, 13 anos e adorava ver as “aventuras” do Guacamole, ver o Mocotó, mais tarde ver os romances previsíveis do Touro, depois do Pedro e da Júlia, e tal. Mas aí chega uma hora que a gente cresce e para né?

Eu já nem lembrava mais dessa novela, até que recebi um convite da Globo (não, não vou atuar!) para participar de um evento para o lançamento da nova temporada do programa, que vem sendo chamado de Malhação ID.

Beleza, fui e por lá estava a atriz Carolinie Figueiredo (que interpreta Domingas, uma jovem toda antenada e tal) e o autor da nova temporada, Ricardo Hofstteter.

Eu cai de para-quedas no tal encontro, mas vi que não era a única com tal sensação, pois estavam também alguns outros blogueiros de BH tentando descobrir o objetivo daquilo. Na real, foi um bate papo sem pauta definida, todo guiado pelos próprios blogueiros.

O que me fez escrever este post, foi na verdade, o fato da atriz e do autor tocarem no assunto relacionado à internet e as possibilidades oferecidas por ela.

malhacaoid3

Todos falam, todos recebem

Lembram-se daquele papo de que a Globo havia divulgado uma cartilha interna para os funcionários, com ar de censura, dando orientações sobre como usar redes sociais? Pois então, Ricardo e Carolinie confirmaram a história, e explicara que na prática o que foi definido é a não-citação de assuntos relacionados ao trabalho se não for através de um canal (twitter, blog, etc) com contexto profissional explícito, para que as “coisas” não ficassem misturadas.

Independente disso, para mim, toda essa história continua com cheiro de pensamento atrasado, uma vez que vida pessoal e profissional hoje são coisas tão homogêneas que fica difícil separar dessa maneira.

Carolinie destacou que um dos usos que faz dessa liberdade oferecida pela internet é o de se expressar sem ter o risco de ver o seu discurso deturpado, como costuma acontecer em alguns  meios.

Autor x Personagem

A gente sempre tem uma tia ou uma avó que insiste em não saber separar o ator/atriz do personagem. Se encontra a Patrícia Pilar na rua depois de ver A Favorita quer ir lá chama-la de Flora e dar porrada. Isso rola mesmo, e não só no meio “off”, como também na internet.

A atriz Carolinie contou o seguinte caso: ela queria editar um vídeo e estava em busca do programa ideal, e pediu dicas sobre isso em seu Twitter. Tal pedido gerou uma enorme polêmica, pelo simples fato de sua PERSONAGEM (Domingas) ser uma garota que edita vídeos profissionalmente durante a trama e tudo mais.

Como no Twitter tudo vira poêmica, não é de se assustar uma atitude dessas dos arrobas, ahn?

Foi publicada uma notícia sobre o encontro no site da Rede Globo que apresenta a lista dos blogueiros participantes.

Como um resuminho de tudo, o  vídeo abaixo tem um pequeno depoimento da atriz e do autor sobre a internet e tudo mais

SuPerSonas: Flávio Rezende, o cara da animação 3D

Inauguro hoje o SuPerSonas, categoria para entrevistar, apresentar ou qualquer coisa do gênero envolvendo pessoas que são phodas em alguma coisa. De fato, todo mundo é.  :)

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Não é raro a gente babar ovo de gringo por trabalhos profissionais e não saber os talentos que existem aqui do nosso lado.  Esses dias conheci o trabalho do Flávio Rezende, um cara que é um quase vizinho meu e que produz animações de fazer chorar sangue.

Além de produzir animações 3D profissionais, Flávio também desenvolve trabalhos publicitários com seu empreendimento homônimo.

O último trabalho do Flávio foi lançado essa semana, e se trata do novo clipe da banda Mundo Livre S.A.. A animação em questão foi produzida apenas pelo próprio Flávio. Veja abaixo:

Fiz uma humilde entrevista para tentar descobrir que é o Flávio e apresentá-lo a vocês, junto com suas criações.

Raquel: Quem é você, filho de Deus, talentoso desse jeito e perdido nessa cidade?

Flávio: Filho de Deus sim talentoso é por sua conta rs, tento equilibrar bem minhas dificuldades em animar e modelar sou um aspirante ainda. Tenho 28 anos, sou de Belzonte

Raquel: Como você aprendeu a trabalhar com animação? (Frase com sentido duplo, fica até engraçada)

Flávio: Sou meio autodidata, me oriento por livros fóruns e por ai vai. Tenho formação acadêmica que me ajuda um pouco na hora de conceituar, mas não esta diretamente ligada a atividade 3D. Sou especialista em radio e TV, me formei em comunicação social

Raquel: Quais são suas referências? O que te inspira?

Flávio: Sou um aspirante a profissional de CG (computação gráfica), comecei a estudar há pouco tempo, gosto do trabalho de animação do Tim Burton suas animações tem um ruído que me agrada. Dediquei muito tempo a formação acadêmica agora comecei a estudar o que realmente me deixa entusiasmado que é a tecnologia em computação gráfica. Gosto de pizza, internet, cinema e pubs

Raquel: Sobre o clipe da música  A Fumaça do Pajé Miti Subitxxi, recém-lançado, como foi o processo de criação, elaboração de conceito e tudo mais?

Flávio:A musica fala sobre a biopirataria, trafico de DNA indígena, fiz uma pesquisa com dados existentes e comecei a desenhar alguns quadros, trabalho somente com storyboard e anotações, gosto de “ver” as cenas como em um gibi (nada contra a parte textual), com alguns quadros conceituais aqueles que a gente desenha melhor e o storyboard pronto comecei o trabalho sujo rsrs, render, pós produção montagem

Raquel: E a produção, a parte mão na massa? Como aconteceu? Durou quanto tempo?

Flávio:Levei 4 meses não podia dedicar muito tempo ao projeto. A produção foi tranquila com boas referências, storyboard e blueprints (referências para modelar), o trabalho fluiu legal.

Para aqueles que curtiram o trabalho do Flávio, vale dar uma olhada a mais no canal dele no Youtube. Para contato, visite o site dele!

E para aqueles mais curiosos, o Flávio compartilhou também um making-off da animação citada acima. É legal ver o processo de elaboração da obra. Taí!