Empreendedorismo e inovação

Inteligência artificial aplicada a negócios: tecnologia desenvolvida na UFMG transforma-se em realidade

Na abordagem tradicional, os computadores operam a partir de algoritmos que detalham passo a passo todas as etapas que a máquina deve executar. Dessa forma, o computador consegue resolver problemas específicos a partir de instruções precisas. Existem, porém, problemas para os quais nós não conseguimos detalhar um passo a passo da solução – exemplo clássico é o reconhecimento de imagens. Para esses casos, é aplicado o Aprendizado de Máquina (do inglês, Machine Learning), uma subárea da Inteligência Artificial: a partir de exemplos de problemas com solução conhecida, o computador é capaz de aprender a resolver um novo problema de forma semelhante ao ser humano.

Na prática, a tecnologia pode ser aplicada para fins muito diversos, e um exemplo são os carros autônomos – veículos capazes de se locomoverem sem motorista. “Antes, imaginávamos que seria necessário instalar sensores nas vias para que o carro pudesse se guiar. Mas a tecnologia que está em funcionamento hoje usa justamente o Aprendizado de Máquina, “ensinando” o veículo a dirigir através de gravações que registram a forma como pessoas dirigem nas mais diversas situações – chuva, neve, avenidas movimentadas”, esclarece Juliano Viana, CTO da Kunumi. Essa nova prática de Aprendizado de Máquina, que se utiliza das chamadas redes neurais para fazer com que a máquina “aprenda”, é conhecida como aprendizado profundo (do inglês, Deep Learning), e é uma das principais especialidades da empresa, que conta hoje com engenheiros mundialmente renomados nessa área.

Dispondo de arranjos institucionais diferenciados, a Kunumi, fundada em 2016, conta com a expertise de pesquisadores que trabalham há muito tempo na área de Aprendizado e Máquina e Inteligência Artificial. “Queremos ser proponentes nessa discussão, e não vítimas dela”, explica Alberto Colares, CEO da empresa, sediada no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).

Insight automatizado

Atuando na área de tecnologia voltada para tratamento da informação, Alberto conta que, ao longo da última década, a comunidade científica trabalhou muito voltada para o armazenamento de dados – o que gerou a grande tendência conhecida hoje como Big Data. A ideia era que, em algum momento, esse grande volume de dados estocados poderia ser convertido em informação, a partir do ganho de perspectiva histórica.

O volume e a complexidade de dados gerados se tornou tão grande que é impossível, para profissionais, criar um padrão claro para obter respostas. Foi necessário, portanto, desenvolver uma tecnologia capaz de automatizar insight, algo tipicamente humano.

A partir da análise de um grande volume de dados disponíveis, a plataforma desenvolvida pela Kunumi é capaz de mapear padrões invisíveis anteriormente aos olhos humanos e responder perguntas complexas, melhorando a performance em diversas áreas dentro da indústria, empresa ou mesmo instituições governamentais.

Identificando padrões, esses dados são capazes de realizar uma análise preditiva. “Mais que organizar dados, o nosso sistema é capaz de aprender e sugerir ações, considerando variáveis como o perfil de determinado cliente, prevendo comportamentos, detectando anomalias e fraudes”, explica Juliano. Os produtos já estão em fase de desenvolvimento, voltados para instituições financeiras, hospitais, indústrias e governos.

Linguagem natural

Com interesse descomplicar a interação com a tecnologia, outra aposta da empresa é que a plataforma seja capaz de interagir com seres humanos usando de uma linguagem natural – outra possibilidade viabilizada pelo Aprendizado Profundo. “A ideia é que interagindo com a plataforma, por voz ou por texto, as pessoas possam, de certa forma, conversar com a sua empresa, saber como vai a sua saúde financeira, a satisfação de seus clientes. Tudo isso em um papo contínuo, eficaz e prazeroso”, completa Alberto.

Um Modelo de Negócio Inovador

A Kunumi foi criada a partir da transferência de know-how obtido através de resultados de pesquisa desenvolvida dentro da UFMG. A universidade participa do negócio como sócia na forma de usufruto de ações, tendo os mesmos direitos que qualquer acionista, mas sem direito a voto. “É um arranjo que beneficia ambas as partes. Enquanto a Kunumi tem acesso a laboratórios e pesquisadores de ponta – fundamental para o desenvolvimento de tecnologias disruptivas, a UFMG recebe benefícios do trabalho que comercializamos” explica o professor Nívio Ziviani, Presidente do Conselho de Tecnologia e Membro do Conselho de Administração da empresa.

Este modelo de negócio, embora seja muito comum em universidades de destaque como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a Universidade de Stanford, ainda é incipiente no Brasil. “É importante que a pesquisa e desenvolvimento trabalhe em temas inovadores, que sejam de interesse tanto da universidade quanto da empresa. A Kunumi pode proporcionar para os laboratórios da UFMG dados do mundo real que dificilmente poderiam ser obtidos pela instituição. Em troca, temos acesso a conhecimento que permite que possamos competir com os maiores players do mercado internacional”, completa Ziviani.

 

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