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Maria Bethânia e o blog de 1 milhão de reais

Tirando a poeira do blog, venho comentar sobre a polêmica inicada por Maria Bethânia. A cantora poderá conseguir graças ao Ministério da Cultura meros R$ 1.300 milhão para produzir um site com estrutura de videolog com objetivo de divulgar a poesia.

A maioria das críticas e revoltas se direcionaram específicamente à artista Maria Bethânia, mas no fundo, o X da questão está na legislação e na mentalidade do ministério da cultura.

Um determinado brasileiro, indignado com o fato fez esse vídeo que têm ganhado mais popularidade e apoios no youtube.

Compreendo absolutamente a ira do moço. Também compartilho do sentimento, mas cá entre nós, fazer uma ameaça “a la terrorismo” não muda nada e o faz perder a razão. Associar adjetivos negativos ao nome de Bethânia idem, não faz nada melhorar, afinal, o problema não é exatamente ela.

Um dos pontos principais da discussão deveria ser a lei que permite esse tipo de situação. Bethânia conseguiu aprovar seu projeto para captação graças à Lei Rouanet. Os 1,3 milhão que serão usados para o blog/vlog (no próprio projeto há uma confusão de termos) não sairão diretamente dos “nossos bolsos”, pois serão abatidos em impostos de organizações privadas. Logo, é um uso INDIRETO do dinheiro público (fato que não diminui o absurdo da história).

E uma questão que tem muita gente comentando em listas, twitter e afins: esse conteúdo vai ser Creative Commons? O projeto não cita isso, e não duvido que aconteça do trabalho ser financiado com verba pública e ter restrições de direitos autorais antônimas à ideia.

Eu sempre fui taxada de chata e “mão de vaca” quando neguinho pagava sorrindo R$400 ou mais para ir ver Cirque de Soleil e eu respondia que aquilo era ridículo, já que o projeto recebe anualmente milhões de reais para acontecer. O cenário é o mesmo quando se trata de filmes produzidos pela Globo, produções de Ivete Sangalo e assim vai.

Para amargar o céu da boca, divirtam-se lendo o projeto que foi aprovado pelo ministério.

Isso tudo, considerando que todo o projeto sofreu um reajuste, pois antes a dona artista pedia meros R$ 1.798.600.

maria-bethania-blog

Cá entre nós. Um blog não profissional (humilde, bem no jeitinho desse aqui) custa mais ou menos o seguinte (considerando que o o projeto da Bethânia é para acontecer durante 1 ano):

  • Domínio: R$30/ano
  • Hospedagem (um valor média, com margem de erro para cima): R$200/mês
  • CMS-Sistema de gerenciamento de conteúdo: R$0,00 (Existem vários sistemas como o WordPress que são excelentes e gratuitos)
  • Layout: aí é um ponto relativo, não dou valores. O meu template é gratuito e recebeu modificações com ajuda de amigos designers.
  • Manutenção: R$0,00 (O WordPress, por exemplo, é uma ferramenta open source e a comunidade está sempre corrigindo erros que surgem)
  • Mão de obra: Vai depender, mas podemos ter noções olhando pelo sindicado dos jornalistas por exemplo, a tabela de preços mínimos do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro (onde o projeto será executado).

Maria Bethânia seria a diretora artística do projeto. Faz ideia de quanto ela quer ganhar para isso? Dá uma conferida no projeto o resto de valores dedicados à equipe e afins para saber para onde vai tanto dinheiro.

valores-blog-mariabethania

A questão de tudo não é dizer qual projeto vale mais que o outro, sinceramente, mas sim questionar porquê a Lei oferece tanto para tão poucos. Quantos projetos locais e menores vemos em nossas cidades sem receber apoio? Quantos professores de artesanato, esportes e outras coisas dando aulas voluntariamente para uma comunidade carente? Eles precisariam de muito para que o projeto fosse melhor explorado? Creio que não. O projeto deles é menos ou mais importante que o de Bethânia? Essa pergunta não vale, não existe esse tipo de diferenciação, o que falta-nos é uma distribuição feita de forma mais abrangente.

Além de termos valores absurdos investidos em poucos projetos, temos ainda o grande problema da concentração geográfica dos valores aprovados: a maior parte da grana liberada pelo Minc é para o Sudeste. Cerca de 80% dos projetos aprovados são de São Paulo e Rio de Janeiro. Isso não é justo! Portanto, não concordo que xinguem específicamente a cantora por causa do projeto se não considerarem o cenário que estamos. Temos muitos outros artistas tendo projetos sendo aprovados, porém estamos calados desde sempre. Decepciono-me com Bethânia por vê-la envolvida num projeto que exige tanta verba assim, entretanto, minha revolta se distribuí a todos os envolvidos.  Não é questão de dizer “ah, tenho um blog e agora quero receber milhões para atualizá-lo”, mas sim de observar a balança que mede quanto vale cada ideia relacionada à cultura.

Obs: Hermano Viana, jornalista que está envolvido no assustador projeto de poesia em blog dá seu ponto de vista nO Globo, acho que vale a leitura (embora esteja longe de nos convencer de que isso está certo).

Espanha incentiva mercado de jogos e cria Academia de Artes e Ciências Interativas

mario
Enquanto isso na Espanha: o ministério da Cultura do país acaba de criar uma academia de artes totalmente dedicada aos jogos e ciências interativas.

A ideia é ter um órgão que funcione como a Academia de Hollywood, que valorize e premie designers e programadores em várias categorias, preparando algo como o Oscar dos jogos eletrônicos. “Os videogames são um patrimônio. Estimulam a inovação tecnológica, a criatividade e a estética na cultura. Sua modernidade faz parte da arte contemporânea”, disse Ángela Gonzáles-Sinde, ministra da cultura da Espanha ao jornal espanhol El País.

Tanta empolgação tem justificativas facilmente identificáveis. De todo o PIB espanhol, 4% é fruto da cultura (especialmente dos jogos). Tal número representa um valor maior que a do setor energético, de acordo com a publicação. Além disso, os videogames geram cerca de 800 mil vagas de trabalho no país.

Atualmente os jogos já passam de meras ferramentas de entretenimento, e já são usadas com outros objetivos, dentre eles educar e facilitar a aprendizagem.

Imagem tirada daqui

Mapa colaborativo sobre Twitteratura

É claro que Biz Stone e Evan Williams não imaginaram tudo o que seria criado e recriado com base no Twitter quando pensaram em lançar aquele projeto de publicações de até 140 caracteres. Um dos grandes baratos da web pra mim é isso aí, a possibilidade infinita de reapropriações (é a palavra da moda). Aí, dentro de todas as essas novidades temos a chamada Twitteratura.

Como alguns já sabem (tenho falado bastante do meu próprio umbigo por aqui), minha pesquisa de mestrado é bem isso aí: entender como tem sido o uso do Twitter no que diz respeito a Literatura.

Um dos meus objetivos do momento é dar uma mapeada nessas iniciativas “twitterárias” que têm sido feitas mundo afora. E como essa web é linda e não cansa de me ajudar, resolvi fazer uso do querido Google Maps para isso.

Se você quiser acompanhar a saga, fica a vontade. Se quiser ajudar a elaborar a saga, fica mais a vontade ainda, faz favor. Eu criei um mapa colaborativo para marcar toda e qualquer ideia que esteja sendo praticada (ou que já foi algum dia) e que envolva literatura e Twitter. Já coloquei algumas coisas por lá e vou sempre sempre atualizar.


Visualizar Twitteratura em um mapa maior

Eu espero que o mapa também incentive que autores mais tímidos se cadastrem ali.

Se tiver algum projeto para cadastrar aí no mapa, é muito simples:

1) Efetue login no Google
2) Clique em editar, na parte de cima e à direita desse campo de descrição
3) No mapa, aparecerá um menu no campo superior esquerdo. Clique no balão azul. Ele transformará em um marcador
4) Clique no ponto desejado no mapa e coloque as informações e salve.

Só para facilitar a leitura de todos, tenho tentado padronizar as coisas assim:
- @nomedousuário
- Pequeno currículo do escritor
- Se já fez alguma atividade relacionada a literatura especificamente no Twitter, dê mais detalhes.
- Deixe links e outras informações :)

Se você puder ajudar com conteúdo, agradeço muito, se você puder ajudar divulgando o mapa, eu também agradeço demais. Se não puder ajudar eu fico grata do mesmo jeito pela atenção!

Academia Brasileira de Letras lança concurso de microcontos pelo Twitter

A Academia Brasileira de Letras acaba de lançar pelo Twitter um concurso nacional de contos que, vejam só, quer criações de até 140 caracteres.

O interessado em participar deve ser o Twitter da Academia, @abletras, e enviar por email um microconto com o limite de caracteres imposto pelo microblog. A temática é livre. Um regulamento está no site oficial com todos os detalhes do projeto.

Três microcontos serão escolhidos através de critérios como uso correto das normas gramaticais, coerência, coesão e ortografia.

Como prêmio, o primeiro colocado ganhará um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP); o  segundo lugar ganhará um minidicionário escolar da Academia Brasileira de Letras; e o terceiro lugar receberá um minidicionário da Língua Portuguesa do Professor e  Acadêmico Evanildo Bechara, todos com as devidas atualizações do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

A Academia Brasileira de Letras está no Twitter desde o final de 2009. O atual presidente da Academia Brasileira de Letras Marcos Vinicios Vilaça se mostra animado com o uso de redes sociais para dar permanência à popularidade da instituição. “(…)Meus netos não saem do Orkut, do MSN, do Twitter… Se é lá que a juventude está, é lá que precisamos ir. Se num primeiro momento os moços não vêm à Academia, então a Academia precisa ir até eles… Para muitos deles, até ser apresentada. São horas que eles passam a fio teclando – como dizem no linguajar próprio”, disse Vilaça em entrevista.

Programa de índio 2.0

Na época da Campus Party de 2008 foi iniciado um projeto de web rádio indígena, sendo esta sustentada inicialmente com colaborações privadas e com conteúdo produzido pela própria comunidade indígena.

Conheci neste ano os índios que faziam a rádio. Eles estão acampados na Cparty, e consigo trouxeram toda a identidade própria deles e o interesse pela web.

Sensibilizei demais. Fui conversar com eles e procura saber mais detalhes sobre os projetos deles e me surpreendi quando o líder dos que estão aqui, Anápuáka Muniz Pataxó Hã hã hãe (achei o nome dele legal demais) me disse que o projeto não está mais na ativa, e isso por falta de equipamentos. Pelo visto, assim que a Campus Party de 2008 acabou, os incentivos recebidos para a realização do projeto foi interrompido, e consequentemente a webrádio ficou off.

Fiz vídeos com Anápuáka e com um outro índio que está por aqui, o Bekói. O primeiro não ficou bacana (acústica aqui tá tensa), mas para não desperdiçar material, fica aí o outro vídeo, que mostra o colaborador da rádio falando sobre como o projeto acontecia.

Vendo isso, aquela expressão “programa de índio” é capaz de ganhar novas interpretações. Achei isso tudo o máximo.

A vontade de continuar a produzir conteúdo por lá ainda existe, porém faltam apoio, verba… Fica aqui, aliás, o apelo: se tiver como colaborar com os índios, faça-o. Eles já têm computadores, mas não têm nenhum aparelho específico para a gravação/transmissão. Tem gente que vem com o papo de que a internet no meio de tribos pode fazê-los perder características, costumes e a própria identididade, mas já acredito que é o contrário disso, que a possibilidade de acesso à internet nessas comunidades pode trazer é maior auto-valorização. Em um debate ontem o cantor Lobão disse que a modernidade ajuda a preservar o arcaico, e creio que essa frase vale também para essa situação.

Anápuáka mantem de sua tribo um blog, que traz informações locais de sua comunidade, e vale a pena uma visita também.


Web Radio Indigena from raquelcamargo on Vimeo.

Foto de Luis Leão

Um mouse na mão, uma idéia na cabeça. Sou Jackson Pollock

Jackson Pollock, (Cody, Wyoming, Estados Unidos da América, 28 de Janeiro de 1912 – 11 de Agosto de 1956) foi um importande pintor dos Estados Unidos da América e referência no movimento do expressionismo abstrato, segundo a Wikipedia.

A coisa mais bacana do trabalho de Pollock era a técnica conhecida como dripping. Trata-se mais ou menos do que diz a palavra traduzida mesmo (gotejamento). Ele respingava tinta em telas enormes, deixando assim as cores escorrendo pelo espaço. Cada clique muda a cor da tinta, aletóriamente.

Um site simulando essa técnica de Pollock foi criado e permite que você espalhe tinta por toda a tela. É bom demais ficar fazendo bagunça, meio que terapêutico.

A dica é legal, principalmente para aqueles momentos em que estamos com a cabeça fritando e precisamos parar para esfriar. ;) (Ufa, essa dica estava para ser postada há uns 2 meses!)

Olhaí uma obra de arte minha. Tenho futuro ou não tenho? rs Clic e faz a sua!