Raquel Camargo
Atualidades úteis e fúteis
Atualidades úteis e fúteis
set 27th
Ainda sustentam a lição de que o jornalismo deve ser imparcial, neutro, isento de qualquer opinião. Todos sabem que isso não existe. Não existe nem na prática, nem na teoria. Independente do esforço de uns e outros, não há como um humano produzir algo sem partir do seu conhecimento prévio, sua experiência de vida que logicamente é contaminada de conceitos e opiniões.
Eis que neste domingo (26), o Estadão declarou apoio aberto ao candidato José Serra em um editorial. Com o título “O Mal a evitar”, o jornal deixa expostas as críticas ao presidente Lula e apóia claramente o tucano.
O interessante do fato nem é o lance de quem apoiar, mas o assumir um lado da história. Todos sabem que veículos têm suas linhas editorais e que elas tendem aos políticos que falam mais doce com elas. Nunca houve liberdade de imprensa, nesse sentido.
Todos os jornais modelam suas pautas para ser favorável a quem apóia, porém, de uma forma velada. O que o Estado de S. Paulo fez foi assumir isso explicitamente. O espaço de “editorial” já é feito específicamente para um texto com uma liberdade um pouco maior que outros cadernos, portanto, acho que a escolha do espaço também foi sutil.
Acompanhar os mais de 2800 comentários do editorial está interessante. Muita opinião bem fundamentada, de vários lados.
Particularmente, sou mais esse tipo de cara de pau que aquela suposta imparcialidade de veículos como a Veja. Falta de ética pouca é bobagem.
É polêmico, tem gente que defende a tentativa de se manter tudo neutro, tem gente que por já não crer nessa suposta utopia prefere isso.
Esse tipo de tomada de partido às claras é um marco para a história da imprensa, da suposta ética jornalística. Espero que os professores debatam isso com os alunos de comunicação. Nada é tão ruim que não possa piorar.
jul 12th
Sem querer voltar a tocar na polêmica do diploma de jornalistas, mas já voltando, esse vídeo é interessante…
A Meyocks Group apresentou recentemente um vídeo para a abertura do ADDY Awards chamado “When I Grow Up”, que é uma campanha de publicidade para o site de empregos Monster.com.
Alguns alunos do curso de pós graduação em Produção em Mídias Digitais, da Puc Minas, elaboraram uma paródia do caso citado a cima, pisando novamente no calo dos profissionais da imprensa.
Vale refletir.