Raquel Camargo
Atualidades úteis e fúteis
Atualidades úteis e fúteis
jul 13th
Acontece nesta quarta-feira (13 de julho) uma disussão a respeito do projeto de lei que pode mudar (para pior) o nosso acesso à internet. O PL 84/99, também conhecido como AI5 Digital, prevê formas de “controlar” crimes na internet.
A novidade é que hoje qualquer um de nós poderemos participar da discussão de forma mais relevante. Fazendo comentários via Twitter usando as hashtags #cibercrimes e #pl84 será possível ter a chance de receber atenção de quem está envolvido na elaboração da lei.
Do debate participam Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV; a advogada Patrícia Peck Pinheiro e o conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil, Demi Getschko, e outros.
Agora por exemplo, o abaixo-assinado feito pela internet com milhares de assinatura contra a PL de Azeredo foi entregue.
Acompanhe a discussão que acontece agora na Câmara dos Deputados por vídeo aqui.

jul 7th
E assim caminha a humanidade… A ONU declarou como um direito humano o acesso à internet. Esse reconhecimento é um reflexo da força que o uso das novas tecnologias têm tido diante de confrontos políticos gigantescos, como os do Egito, Tunísia e outros.
Foi emitido o primeiro relatório sobre a relação entre governos e a rede pelo relator especial da ONU, Frank La Rue, e nele expõe-se novamente a ameaça que a internet tem sofrido devido às censuras políticas. Exemplo disso é a tentativa do presidente francês, Nicolas Sarkozy, usar o discurso de “internet civilizada” para privar o povo da expressão. Clique na imagem e veja um mapa com os registros de políticas para internet “questionáveis”.
A consequencia direta disso para nós, atualmente, é ainda pequena, contudo, é um grande passo para futuras evoluções mas políticas e acessibilidaes. Os políticos e técnicos da UIT (União Internacional de Telecomunicações) já pensam na criação de um “acordo de paz” mundial para a internet. “Todos sabemos que, se houver uma nova guerra mundial, ela ocorrerá a partir do espaço digital”, declarou Hamadoun Toure, secretário-geral da UIT. “Um acordo de paz será fundamental e terá de incluir governos, setor privado e sociedade”, completou Toure, de acordo com O Estadao.
Que assim seja!
jul 5th
Se o dinheiro que move o nosso país vem do bolso do povo, por qual razão o próprio povo não pode ter acesso ao caminho de cada centavo? Você sabe exatamente quantos reais de impostos são direcionados ao tratamento de água da sua região, aos projetos de cultura ou com o sistema de saúde pública?
De fato, não sabemos. Os governantes atuam com uma super proteção (ou velamento) de dados e informações. Se hoje centralizamos tudo na internet, o mais lógico seria colocar tudo ao acesso público, ou seja, ao alcance do verdadeiro dono disso tudo. Esse fechamento de dados resulta, nada mais nada menos, que situações complicadas em casos como os dos ataques do grupo Luzsec. Se os dados já estivessem abertos, na mão de todos, haveria motivo de temer a perda ou a invasão deles?
Com esse raciocínio (e tantos outros) existe um grupo de pessoas que defendem a abertura de dados públicos. Além do acesso livre às informações, um governo que atua com dados abertos possibilita também a reutilização de tudo isso para a idealização de novos projetos, que facilitem a leitura de tudo, cruze informações, enfim, gere conhecimento e valor.
Para ajudar nesse trabalho de dados abertos foi feito um belíssimo trabalho para esclarecer melhor toda essa discussão. O Manual de Dados Abertos define bem cada termo e orienta o governo que pretende trabalhar da maneira mais transparente possível. Acho digno compartilhar esse material não só para nossos representantes políticos, mas também para qualquer outro cidadão, para que ele tenha mais argumentos ao tentar divulgar a ideia onde quiser.
Todo esse papo tem a ver com o Transparência Hacker, assunto já citado nesse blog e que cada vez mais cresce. Para quem se interessar, basta participar da lista de discussão para criar, observar ou colaborar com diversos tipos de projetos.
Eis aqui alguns exemplos de projetos que passam pela lista do THackDay (com infos e textos do próprio site):
O Deputados Analytics é um projeto que visa analisar as estatísticas dos deputados e gerar rankings mais compreensivos pela comunidade em geral, com base nos dados disponíveis na página do congresso nacional.
O projeto surgiu durante a Maratona Internacional de Dados Abertos (http://www.opendataday.org/). Na ocasião, fizemos também o Transparência Hackday PA (http://www.thackdaypa.org/), que ocorreu no dia 04 de dezembro de 2010 em paralelo a outras cidades do mundo.

Ainda em fase de produção, inicialmente o projeto deve separar as estatísticas iniciais por candidato, partido, estado e região, sinalizando:
O SACSP é uma iniciativa que nasceu com o Transparência Hackday promovido pela Esfera na Casa de Cultura Digital em São Paulo. A missão do site é ajudar os munícipes a fiscalizarem o trabalho público em seus bairros usando a plataforma web. Todos os dados disponibilizados vêm do site da Prefeitura da Cidade de São Paulo.
O SAC SP distribui as reclamações advindas do site da Prefeitura de São Paulo em um mapa do Google.É possível assim ver quais as regiões da cidade são mais afetadas por um ou outro tipo de ocorrência. O site também lista uma série com os dez maiores tipos de reclamações, e os 10 órgãos do governo da cidade que são objeto das reclamações.
Para além disso, o visitante do site encontra ainda uma série de gráficos que podem ser filtrados pro período de tempo e tipo de ocorrência.
Autor do projeto: Bruno Barreto
Observação: o site não pode garantir que todos os dados estão 100% atualizados.
Esse é um projeto desenvolvido pela comunidade da Transparência Hacker. Uma visualização dos calendario de gastos de diárias do Gabinete do Ministério da Cultura nos primeiros meses de 2011.
Os dados foram extraidos das páginas do Portal da Transparência e não foram completamente testados. Favor reportar qualquer problema para a lista do grupo.
O código que gera essa agenda pode ser encontrado no scraperwiki. A visualização é uma rapida e tosca apropriação do plugin jQuery Frontier Calendar
O código pode ser facilmente adaptado para outros orgãos e ministérios. E estamos trabalhando para colocar no ar uma versão desse aplicativo que permita uma ampla leitura do destino temporal das verbas públicas.
Bem, se já somos capazes de gerar tanta coisa interessante e útil com dados fechados, imaginem quando os conteúdos estiverem disponibilizados da maneira que indica o manual? Eu apóio demais!
mar 20th
Tirando a poeira do blog, venho comentar sobre a polêmica inicada por Maria Bethânia. A cantora poderá conseguir graças ao Ministério da Cultura meros R$ 1.300 milhão para produzir um site com estrutura de videolog com objetivo de divulgar a poesia.
A maioria das críticas e revoltas se direcionaram específicamente à artista Maria Bethânia, mas no fundo, o X da questão está na legislação e na mentalidade do ministério da cultura.
Um determinado brasileiro, indignado com o fato fez esse vídeo que têm ganhado mais popularidade e apoios no youtube.
Compreendo absolutamente a ira do moço. Também compartilho do sentimento, mas cá entre nós, fazer uma ameaça “a la terrorismo” não muda nada e o faz perder a razão. Associar adjetivos negativos ao nome de Bethânia idem, não faz nada melhorar, afinal, o problema não é exatamente ela.
Um dos pontos principais da discussão deveria ser a lei que permite esse tipo de situação. Bethânia conseguiu aprovar seu projeto para captação graças à Lei Rouanet. Os 1,3 milhão que serão usados para o blog/vlog (no próprio projeto há uma confusão de termos) não sairão diretamente dos “nossos bolsos”, pois serão abatidos em impostos de organizações privadas. Logo, é um uso INDIRETO do dinheiro público (fato que não diminui o absurdo da história).
E uma questão que tem muita gente comentando em listas, twitter e afins: esse conteúdo vai ser Creative Commons? O projeto não cita isso, e não duvido que aconteça do trabalho ser financiado com verba pública e ter restrições de direitos autorais antônimas à ideia.
Eu sempre fui taxada de chata e “mão de vaca” quando neguinho pagava sorrindo R$400 ou mais para ir ver Cirque de Soleil e eu respondia que aquilo era ridículo, já que o projeto recebe anualmente milhões de reais para acontecer. O cenário é o mesmo quando se trata de filmes produzidos pela Globo, produções de Ivete Sangalo e assim vai.
Para amargar o céu da boca, divirtam-se lendo o projeto que foi aprovado pelo ministério.
Isso tudo, considerando que todo o projeto sofreu um reajuste, pois antes a dona artista pedia meros R$ 1.798.600.

Cá entre nós. Um blog não profissional (humilde, bem no jeitinho desse aqui) custa mais ou menos o seguinte (considerando que o o projeto da Bethânia é para acontecer durante 1 ano):
Maria Bethânia seria a diretora artística do projeto. Faz ideia de quanto ela quer ganhar para isso? Dá uma conferida no projeto o resto de valores dedicados à equipe e afins para saber para onde vai tanto dinheiro.

A questão de tudo não é dizer qual projeto vale mais que o outro, sinceramente, mas sim questionar porquê a Lei oferece tanto para tão poucos. Quantos projetos locais e menores vemos em nossas cidades sem receber apoio? Quantos professores de artesanato, esportes e outras coisas dando aulas voluntariamente para uma comunidade carente? Eles precisariam de muito para que o projeto fosse melhor explorado? Creio que não. O projeto deles é menos ou mais importante que o de Bethânia? Essa pergunta não vale, não existe esse tipo de diferenciação, o que falta-nos é uma distribuição feita de forma mais abrangente.
Além de termos valores absurdos investidos em poucos projetos, temos ainda o grande problema da concentração geográfica dos valores aprovados: a maior parte da grana liberada pelo Minc é para o Sudeste. Cerca de 80% dos projetos aprovados são de São Paulo e Rio de Janeiro. Isso não é justo! Portanto, não concordo que xinguem específicamente a cantora por causa do projeto se não considerarem o cenário que estamos. Temos muitos outros artistas tendo projetos sendo aprovados, porém estamos calados desde sempre. Decepciono-me com Bethânia por vê-la envolvida num projeto que exige tanta verba assim, entretanto, minha revolta se distribuí a todos os envolvidos. Não é questão de dizer “ah, tenho um blog e agora quero receber milhões para atualizá-lo”, mas sim de observar a balança que mede quanto vale cada ideia relacionada à cultura.
Obs: Hermano Viana, jornalista que está envolvido no assustador projeto de poesia em blog dá seu ponto de vista nO Globo, acho que vale a leitura (embora esteja longe de nos convencer de que isso está certo).
ago 4th
Aquele que era um projeto pouco claro, com objetivo de esenvolver uma interconexão de computadores, hoje é capaz de ser o ambiente palco de mudanças radicais. O potencial da Internet está sustentado na habilidade de superar barreiras que impediam o acesso a uma massa de informação para consumidores comuns.
O que faz a dinâmica da internet ser assim tão impactante é a base social que há ali dentro, algo como um “circuito locomotivo” (conforme Ortiz, 2004) que mostra como nosso espaço é vulnerável à desterritorialização e flexibilidade.
Um fator que faz tantos se apaixonarem pela web é a possibilidade de voz ativa para todos. Online, qualquer um pode se tornar um produtor, pode ser um emissor de conteúdos e conquistar relevância, público e relacionamento com seus destinatários.
Apesar de termos bem perto a chance de agir colaborativamente publicando em blogs, microblogs, compartilhadores de fotos e afins, não é bem o que tem acontecido. A pluralidade de vozes que pode ser feita através da web, no fundo, ainda está longe de ser intensa.
Um exemplo disso? Vamos falar de Twitter. Um tanto de gente fala que vai criar um Twitter e não um blog por que ali é fácil publicar algo, mais rápido e conciso, e assim acredita que poderá fazer conteúdo de relevância de forma mais prática.
Uma pesquisa de Harvard publicada em 2009 mostrou que uma pequena parte dos usuários do microblog é realmente a responsável pela geração de conteúdo. O estudo apontou que 10% dos “arrobas” são os autores de 90% do conteúdo postado ali.
O gráfico abaixo mostra com dados mais atualizados a produção de mensagens no Twitter. Já nesse gráfico constam 20% dos usuários como autores de Tweets e pode-se perceber também uma grande quantidade de pessoas apenas retwittando ou sustentando postagens triviais.

O mesmo acontece com blogs. Pense: quantos blogs você já visitou e viu que não passava de um CTRL+C CTRL+V de matérias de jornais, revistas, de mensagens que recebemos um milhão de vezes por email e só?
A fatia que realmente gera conteúdo na web é pequena perto da quantidade de pessoas que temos online. O que me incomoda é pensar o motivo disso. Se temos hoje a chance de sair da ditadura das mídias tradicionais, por que isso ainda não acontece com força?
Minha avó só tinha acesso à informações através de conversas no seu bairro ou dos meios convencionais de notícias (rádio, jornal e, mais tarde, a TV). Já nós não temos razão para ficar nessa de monopolização de fontes. Existem blogs muito mais confiantes e relevantes que revistas de grandes tiragens por aí, não é mesmo?
Creio que essa falta de consciência do poder que temos, de que temos em mãos contas em redes e mídias sociais que nos dão voz quase tão ativa aos tradicionais meios de comunicação, seja um reflexo dessa colonização de informações. A minha avó já está entendendo isso também.
O que você já fez para mostrar o poder que temos com as redes? Aquele papo de ser o quarto poder já não é mais só do jornalismo, pode ser de qualquer um de nós. Cutucar um político via Twitter, Formspring, exigir nossos direitos pelas redes, enfim, tudo isso está ao nosso alcance e é de graça. Isso aqui é uma ágora online.
Qual foi o bom uso das mídias sociais que você fez hoje?
—-
Dicas de posts do blog de Eleições:
Vídeo de sá tiras de candidatos provoca reação do TRE-MG
Estadão apóia Dilma no Twitter “sem querer querendo”
Referências: ORTIZ, Renato. Mundialização e Cultura. São Paulo. Editora Brasiliense, 1994.
Imagem: Comunicadores
ago 3rd
Não tem como ficar isolado do mundo e fingir que nada está acontecendo: as eleições estão aí e o sentimento de “pqp, esse meu país é uma sucata” fica mais forte ainda.
Meu lance é mídias sociais, web e essas coisas, todos sabem (ou não), e esse ano especialmente tudo enquanto é candidato está tentando usar essas “mudernidade das internéti” na campanha. Tem muita coisa para ser observada nesse momento.
É por causa disso aí que eu resolvi blogar sobre o assunto. O lance é falar de política, mas não aquela política partidária que dá nojinho, mas sim do que deveria ser tudo isso.
O papo está todo sendo feito paralelamente no sub-blog eleicoes.raquelcamargo.com mas vou volocar umas chamadas dos posts de lá aqui também para vocês não se esquecerem, tá? Também tem um atalho aqui do lado, com a cara do nosso simpático Bozo, caso alguém perca ou esqueça o endereço.
Espero que consigamos criar debates e fazer a diferença pela web!