Raquel Camargo
Atualidades úteis e fúteis
Atualidades úteis e fúteis
jul 5th
Se o dinheiro que move o nosso país vem do bolso do povo, por qual razão o próprio povo não pode ter acesso ao caminho de cada centavo? Você sabe exatamente quantos reais de impostos são direcionados ao tratamento de água da sua região, aos projetos de cultura ou com o sistema de saúde pública?
De fato, não sabemos. Os governantes atuam com uma super proteção (ou velamento) de dados e informações. Se hoje centralizamos tudo na internet, o mais lógico seria colocar tudo ao acesso público, ou seja, ao alcance do verdadeiro dono disso tudo. Esse fechamento de dados resulta, nada mais nada menos, que situações complicadas em casos como os dos ataques do grupo Luzsec. Se os dados já estivessem abertos, na mão de todos, haveria motivo de temer a perda ou a invasão deles?
Com esse raciocínio (e tantos outros) existe um grupo de pessoas que defendem a abertura de dados públicos. Além do acesso livre às informações, um governo que atua com dados abertos possibilita também a reutilização de tudo isso para a idealização de novos projetos, que facilitem a leitura de tudo, cruze informações, enfim, gere conhecimento e valor.
Para ajudar nesse trabalho de dados abertos foi feito um belíssimo trabalho para esclarecer melhor toda essa discussão. O Manual de Dados Abertos define bem cada termo e orienta o governo que pretende trabalhar da maneira mais transparente possível. Acho digno compartilhar esse material não só para nossos representantes políticos, mas também para qualquer outro cidadão, para que ele tenha mais argumentos ao tentar divulgar a ideia onde quiser.
Todo esse papo tem a ver com o Transparência Hacker, assunto já citado nesse blog e que cada vez mais cresce. Para quem se interessar, basta participar da lista de discussão para criar, observar ou colaborar com diversos tipos de projetos.
Eis aqui alguns exemplos de projetos que passam pela lista do THackDay (com infos e textos do próprio site):
O Deputados Analytics é um projeto que visa analisar as estatísticas dos deputados e gerar rankings mais compreensivos pela comunidade em geral, com base nos dados disponíveis na página do congresso nacional.
O projeto surgiu durante a Maratona Internacional de Dados Abertos (http://www.opendataday.org/). Na ocasião, fizemos também o Transparência Hackday PA (http://www.thackdaypa.org/), que ocorreu no dia 04 de dezembro de 2010 em paralelo a outras cidades do mundo.

Ainda em fase de produção, inicialmente o projeto deve separar as estatísticas iniciais por candidato, partido, estado e região, sinalizando:
O SACSP é uma iniciativa que nasceu com o Transparência Hackday promovido pela Esfera na Casa de Cultura Digital em São Paulo. A missão do site é ajudar os munícipes a fiscalizarem o trabalho público em seus bairros usando a plataforma web. Todos os dados disponibilizados vêm do site da Prefeitura da Cidade de São Paulo.
O SAC SP distribui as reclamações advindas do site da Prefeitura de São Paulo em um mapa do Google.É possível assim ver quais as regiões da cidade são mais afetadas por um ou outro tipo de ocorrência. O site também lista uma série com os dez maiores tipos de reclamações, e os 10 órgãos do governo da cidade que são objeto das reclamações.
Para além disso, o visitante do site encontra ainda uma série de gráficos que podem ser filtrados pro período de tempo e tipo de ocorrência.
Autor do projeto: Bruno Barreto
Observação: o site não pode garantir que todos os dados estão 100% atualizados.
Esse é um projeto desenvolvido pela comunidade da Transparência Hacker. Uma visualização dos calendario de gastos de diárias do Gabinete do Ministério da Cultura nos primeiros meses de 2011.
Os dados foram extraidos das páginas do Portal da Transparência e não foram completamente testados. Favor reportar qualquer problema para a lista do grupo.
O código que gera essa agenda pode ser encontrado no scraperwiki. A visualização é uma rapida e tosca apropriação do plugin jQuery Frontier Calendar
O código pode ser facilmente adaptado para outros orgãos e ministérios. E estamos trabalhando para colocar no ar uma versão desse aplicativo que permita uma ampla leitura do destino temporal das verbas públicas.
Bem, se já somos capazes de gerar tanta coisa interessante e útil com dados fechados, imaginem quando os conteúdos estiverem disponibilizados da maneira que indica o manual? Eu apóio demais!
out 7th
Durante a Conferência W3C que aconteceu em Belo Horizonte nesta semana um dos pontos mais debatidos era a abertura de dados.
Com a companhia dos amigos Pedro Markun, Diego Casaes e Daniela B Silva comecei a ajudar a colocar em prática a ideia de fazer um Transparência Hackday, que já acontece em São Paulo, agora também em Belo Horizonte. Em dois dias conseguimos ter um insight a partir de um tweet e pretendemos no dia 23 próximo unir o máximo possível de cabeças pensantes para fazer valer esse poder dessa tal internet.
PQ a CMBH paga R$22 em 1 pct de copo descartável? http://migre.me/1uMnB Deveria custar+-R$3 http://migre.me/1uMlB #VERGONHA
Esse tweet gerou discussões na timeline. Blogueiros chegaram a ligar para a fornecedora e confirmaram a incorerência de preços e vasculharam valores de outros produtos e chegaram à mesma sensação de vergonha. Curiosamente, alguns elementos da lista têm preços mais baratos que o normal. Será interessante avaliarmos os itens com valores do mercado.
Abaixo o nosso convite, com todas as informações sobre a edição mineira do Transparência Hackday.

No dia 23 de outubro, a comunidade Transparência Hacker realizará um de seus hackdays em Belo Horizonte, MG. O encontro acontecerá na FUMEC – Campus Cruzeiro (Prédio FCH – Faculdade de ciências humanas) / Rua Cobre, 200 – Bairro Cruzeiro – Belo Horizonte, das 10h às 18h.
O Transparência Hackday junta pessoas com diferentes perfis para pensar e criar softwares ou aplicativos e projetos que resultem em ação política prática e engajamento cívico através da web. É uma forma de explorar as possibilidades e capacidades que a internet traz em prol do bem-estar social e da utilização inteligente de dados públicos.
O encontro é composto por um grupo de hackers, desenvolvedores, blogueiros, comunicadores, representantes de ongs, administradores públicos, políticos, estudantes e ativistas interessados em promover uma nova esfera pública através da web. Para participar, bastar ter uma ideia e muita vontade de ação.
Para este encontro pretendemos trabalhar com os dados fornecidos pela Câmara Municipal de Belo Horizonte(CMBH). O objetivo será cruzar os dados fornecidos por eles relacionados aos valores gastos em compras com os preços de mercado. O aplicativo nos dará a oportunidade de perceber as diferenças de preços praticadas nos relatórios de gastos da CMBH.
Vamos colocar a mão na massa e propor aplicativos, visualizações, e projetos que cumpram sua função social de forma genial e divertida! Todos são muito bem vindos, e qualquer contribuição é válida. A participação é gratuita e aberta. Basta preencher o formulário neste link.
ago 11th
Eu também.
Qual é o limite entre a transparência e a privacidade? Essa pergunta não sai da minha cabeça desde que eu conheci o WikiLeaks.
Para quem ainda não conhece o projeto, WikiLeaks é uma organização sem fins lucrativos sediada na Suécia que pretende vazar informações de governos e empresas sobre temas delicados e importantes.
Tudo acontece no site www.wikkileaks.org, onde estão reunidos inúmeros documentos secretos. O trabalho da equipe ganhou visibilidade mundial em julho, quando arquivos secretos do governo americano sobre a Guerra do Afeganistão foram parar lá, acessível a todos.

Todos os dados lá publicados são enviados por pessoas “comuns” e o site pretende garantir a privacidade e segurança daquele que denuncia.
Mais de 90 mil documentos secretos sobre as operações militares dos EUA no Afeganistão, entre 2004 e 2009, foram publicados no site. Detalhes sobre a atuação do exército norte-americano na região, morte de civis e vários outros detalhes ficarão então acessíveis.
O impacto de um trabalho como esse é forte e com certeza gera receio nas autoridades, entretanto, este já é uma pista do que será o frequente daqui adiante: a imprensa correndo para apurar dados e fatos disponibilizados por pessoas comuns para outras milhares de pessoas também comuns e as autoridades tentando criar obstáculos para evitar esse tipo de situação.
O destaque do Wikileaks se tornou tão grande nos últimos dias que Fidel Castro interrompeu seu silêncio (quatro anos sem dar entrevistas) e propôs “uma estátua” para o projeto.
Doente desde 2006, Fidel falou que é necessária uma mobilização popular “para persuadir Obama a não puxar o gatilho (nuclear)”, e sugeriu ao presidente americano cuidado, dizendo que é ainda um “um milagre que ainda não o tenham atacado”.
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