Eu também.

Qual é o limite entre a transparência e a privacidade? Essa pergunta não sai da minha cabeça desde que eu conheci o WikiLeaks.

Para quem ainda não conhece o projeto, WikiLeaks é uma organização sem fins lucrativos sediada na Suécia que pretende vazar informações de governos e empresas sobre temas delicados e importantes.

Tudo acontece no site www.wikkileaks.org, onde estão reunidos inúmeros documentos secretos. O trabalho da equipe ganhou visibilidade mundial em julho, quando arquivos secretos do governo americano sobre a Guerra do Afeganistão foram parar lá, acessível a todos.
wikileaks
Todos os dados lá publicados são enviados por pessoas “comuns” e o site pretende garantir a privacidade e segurança daquele que denuncia.

Mais de 90 mil documentos secretos sobre as operações militares dos EUA no Afeganistão, entre 2004 e 2009, foram publicados no site. Detalhes sobre a atuação do exército norte-americano na região, morte de civis e vários outros detalhes ficarão então acessíveis.

O impacto de um trabalho como esse é forte e com certeza gera receio nas autoridades, entretanto, este já é uma pista do que será o frequente daqui adiante: a imprensa correndo para apurar dados e fatos disponibilizados por pessoas comuns para outras milhares de pessoas também comuns e as autoridades tentando criar obstáculos para evitar esse tipo de situação.

O destaque do Wikileaks se tornou tão grande nos últimos dias que Fidel Castro interrompeu seu silêncio (quatro anos sem dar entrevistas) e propôs “uma estátua” para o projeto.

Doente desde 2006, Fidel falou que é necessária uma mobilização popular “para persuadir Obama a não puxar o gatilho (nuclear)”, e sugeriu ao presidente americano cuidado, dizendo que é ainda um “um milagre que ainda não o tenham atacado”.

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